# MPMG cumpre 14 mandados contra grupo que clonava IPVA

> O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou a Operação Contramão nesta quinta-feira (3), cumprindo 14 mandados de prisão contra organização criminosa que clonava o portal do IPVA mineiro. O esquema desviou mais de R$ 1,7 milhão de contribuintes. A ação visa desarticular a rede responsável pela fraude digital.

*Portal Notícias MG · Serviços · 04 de setembro de 2026 · Ronaldo Pimenta*

O MPMG cumpriu 14 mandados de prisão contra organização que clonava o portal do IPVA de Minas Gerais, desviando mais de R$ 1,7 milhão de contribuintes. A Operação Contramão foi deflagrada nesta quinta-feira (3).

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou na manhã desta quinta-feira, 3 de setembro, a Operação Contramão, contra organização criminosa especializada em fraudes no pagamento do IPVA. A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11º Promotoria de Justiça com atribuições no Combate ao Crime Organizado de Belo Horizonte, cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão domiciliar.

A investigação apura crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica e de organização criminosa. Os suspeitos criavam sites falsos com aparência idêntica ao portal oficial do governo estadual, para que contribuintes, acreditando estar pagando o IPVA, efetuassem o pagamento via Pix para contas controladas pelo grupo. Há indícios de que o esquema opera desde 2024, repetindo-se a cada ciclo de vencimento do imposto.

A operação foi batizada de Contramão em referência ao método do grupo, que replicava o portal oficial do Governo de Minas. Os sites falsos usavam domínios com termos como "gov", "detran" e "minasgerais", e o QR Code gerado transferia o valor para empresas de fachada com nomes como "pagamentos de taxas", "gestão de tarifas" e "administrativo veicular". Várias funcionaram por menos de cinco meses, e os recursos eram fracionados entre contas pessoais em Goiás, Maranhão, São Paulo e no entorno do Distrito Federal.

Os mandados foram expedidos pela Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte. As ações ocorreram em Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Luziânia (GO), Imperatriz e São Luís (MA), e São Paulo e Ribeirão Preto (SP). A operação resultou na prisão de 10 investigados e na apreensão de celulares, notebooks, pendrives, cartões bancários, 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.

O promotor de Justiça e coordenador do Gaeciber, André Salles Dias Pinto, afirmou que "as fraudes cibernéticas se alimentam da confiança que o cidadão deposita nos canais oficiais". Segundo ele, quando o criminoso clona o portal do Estado, "não subtrai apenas o valor do imposto: corrói a relação entre o contribuinte e a administração pública". Ele destacou que a integração entre Ministério Público e polícias no GAECIBER permite responder "na velocidade que o crime digital impõe".

A operação contou com o apoio de órgãos de Goiás, São Paulo e Maranhão, incluindo CyberGaeco e Gaeco Entorno do MPGO, CyberGaeco do MPSP, e Gaeco e CAEI do MPMA. O material apreendido será analisado, e as buscas pelos demais investigados foragidos continuam. O feito tramita sob sigilo.

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