Varizes atingem até 40% dos adultos e acesso ao tratamento é desigual no Brasil
Estudo do Einstein Hospital Israelita revela que varizes afetam até 40% dos adultos brasileiros. Acesso ao tratamento é desigual: na rede privada, taxa de cirurgias é quase cinco vezes maior que no SUS. Região Norte realizou apenas 1,5% dos procedimentos.
Varizes atingem até 40% dos adultos e acesso ao tratamento é desigual no Brasil
Varizes afetam entre 30% e 40% da população adulta brasileira. Estudo do Einstein analisou 1,2 milhão de cirurgias entre 2015 e 2023. Embora 75% da população dependa do SUS, a taxa de procedimentos na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior. Região Sudeste concentrou 62% dos casos; Norte, apenas 1,5%.
O que a pesquisa do Einstein revela sobre varizes no Brasil
Publicado na revista Annals of Vascular Surgery, o estudo liderado por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita avaliou mais de 1,2 milhão de cirurgias de varizes realizadas no país entre 2015 e 2023. Os dados vieram da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do DATASUS, sistema de informações do SUS.
O levantamento identificou uma desigualdade: embora cerca de 75% da população dependa exclusivamente do SUS, a taxa de procedimentos na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior. As diferenças regionais também chamam atenção: o Sudeste respondeu por 62% dos casos, seguido pelo Sul (17,5%). Já o Norte realizou apenas 1,5% das cirurgias.
Bruno Jeronimo Ponte, cirurgião vascular no Einstein e um dos autores da pesquisa, afirmou que o objetivo não foi comparar a qualidade dos sistemas, mas mostrar um retrato da realidade brasileira. "Agora surgem novas perguntas: por que algumas regiões fazem mais cirurgias do que outras? Como otimizar a distribuição de recursos? Como ampliar o acesso ao tratamento?", disse. "Esse trabalho foi um primeiro passo e esperamos que esses dados sirvam de base para orientar futuras políticas públicas."
Varizes: muito além da estética
As varizes costumam ser lembradas apenas como um incômodo estético, mas estão entre as manifestações mais comuns da doença venosa crônica. A condição pode evoluir com dor, inchaço, alterações na pele, sangramentos e até úlceras de difícil cicatrização quando não tratada.
Segundo Nelson Wolosker, cirurgião vascular, reitor do Ensino Einstein e líder da equipe que conduziu o estudo, o problema começa quando as válvulas existentes nas veias deixam de funcionar adequadamente. Essas estruturas têm a função de bombear o sangue em direção ao coração. "Quando essas válvulas falham, o sangue reflui, se acumula nas pernas e dilata as veias, dando origem às varizes", explicou.
A doença costuma evoluir lentamente ao longo dos anos. Inicialmente, pode causar apenas pequenas alterações visíveis na pele. Com a progressão, surgem sintomas como sensação de peso no final do dia, dor, cansaço e inchaço. Nos casos mais avançados, o aumento da pressão nas veias pode provocar inflamação dos tecidos, alterações na coloração da pele e formar úlceras venosas, capazes de permanecer abertas por meses ou anos.
Além disso, aumenta o risco de trombose venosa profunda e de sangramentos provocados pelo rompimento de varizes mais calibrosas. "A doença venosa crônica não costuma matar, mas pode comprometer muito a qualidade de vida. Há pacientes que deixam de trabalhar, sofrem com a dor crônica e convivem durante anos com feridas nas pernas", afirmou Wolosker.
Quem mais faz cirurgia de varizes no Brasil
A análise feita pelos pesquisadores do Einstein aponta que 78% das cirurgias de varizes no Brasil foram realizadas em mulheres. Embora seja mais comum no sexo feminino, a doença também acomete homens. Fatores genéticos, envelhecimento, obesidade, gestações e profissões que exigem muitas horas em pé ou sentado aumentam o risco de desenvolver varizes.
Por que as pessoas demoram a buscar tratamento
Um dos principais desafios para o tratamento é que muitas pessoas ainda enxergam as varizes apenas pelo aspecto estético e acabam adiando a procura por atendimento. "Muitos pacientes só buscam ajuda quando a doença já está causando complicações. Mas é importante entender que as varizes são uma doença progressiva", alertou Ponte. "Mesmo quando a pessoa possui apenas pequenos vasos aparentes, é importante avaliar se existe uma insuficiência venosa mais profunda que ainda não é visível."
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico costuma se basear na avaliação clínica e no histórico do paciente. A realização de exames de imagem, como o ultrassom, nem sempre é necessária para confirmar a doença. Na maioria dos casos, o exame é solicitado após o diagnóstico para mapear as veias doentes e planejar o tratamento quando há indicação de algum procedimento invasivo, especialmente a cirurgia.
Opções de tratamento disponíveis
Atualmente, existem diferentes opções terapêuticas para tratamento das varizes, desde a cirurgia convencional (técnica predominante na rede pública, onde a veia doente é retirada da perna) até a aplicação de laser, radiofrequência e escleroterapia com espuma. A escolha depende das características de cada paciente e de cada quadro. "O objetivo do tratamento das varizes não é apenas melhorar a aparência das pernas, mas interromper a progressão da doença e prevenir as complicações", ressaltou Nelson Wolosker.
Como funciona o SUS para cirurgia de varizes
Perguntas Frequentes
Varizes podem causar problemas graves de saúde?
Sim. A doença venosa crônica pode evoluir com dor, inchaço, alterações na pele, sangramentos e úlceras de difícil cicatrização. Também aumenta o risco de trombose venosa profunda.
O SUS realiza cirurgia de varizes?
Sim, mas o acesso é desigual. Cerca de 75% da população depende do SUS, mas a taxa de procedimentos na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior, segundo o estudo do Einstein.
Qual a diferença entre varizes e vasinhos?
As varizes fazem parte de um espectro conhecido como doença venosa crônica, que atinge desde pequenos "vasinhos" até veias maiores. Ambos indicam insuficiência venosa.
Quem tem mais risco de desenvolver varizes?
Fatores genéticos, envelhecimento, obesidade, gestações e profissões que exigem muitas horas em pé ou sentado aumentam o risco. A doença é mais comum em mulheres.
Como prevenir o agravamento das varizes?
O diagnóstico precoce é fundamental. Mesmo com pequenos vasos aparentes, é importante avaliar se existe insuficiência venosa mais profunda. O tratamento visa interromper a progressão da doença.