# Varizes atingem até 40% dos adultos e acesso ao tratamento é desigual no Brasil

> Varizes atingem até 40% dos adultos brasileiros, conforme estudo do Hospital Israelita Albert Einstein. O acesso ao tratamento é desigual no Brasil: na rede privada, a taxa de cirurgias é quase cinco vezes maior que no SUS. A Região Norte realizou apenas 1,5% dos procedimentos, evidenciando disparidade regional.

*Portal Notícias MG · Serviços · 27 de julho de 2026 · Cláudia Resende*

Estudo do Einstein Hospital Israelita revela que varizes afetam até 40% dos adultos brasileiros. Acesso ao tratamento é desigual: na rede privada, taxa de cirurgias é quase cinco vezes maior que no SUS. Região Norte realizou apenas 1,5% dos procedimentos.

## Varizes atingem até 40% dos adultos e acesso ao tratamento é desigual no Brasil

Varizes afetam entre 30% e 40% da população adulta brasileira. Estudo do Einstein analisou 1,2 milhão de cirurgias entre 2015 e 2023. Embora 75% da população dependa do SUS, a taxa de procedimentos na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior. Região Sudeste concentrou 62% dos casos; Norte, apenas 1,5%.

## O que a pesquisa do Einstein revela sobre varizes no Brasil

Publicado na revista _Annals of Vascular Surgery_, o estudo liderado por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita avaliou mais de 1,2 milhão de cirurgias de varizes realizadas no país entre 2015 e 2023. Os dados vieram da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do DATASUS, sistema de informações do SUS.

O levantamento identificou uma desigualdade: embora cerca de 75% da população dependa exclusivamente do SUS, a taxa de procedimentos na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior. As diferenças regionais também chamam atenção: o Sudeste respondeu por 62% dos casos, seguido pelo Sul (17,5%). Já o Norte realizou apenas 1,5% das cirurgias.

Bruno Jeronimo Ponte, cirurgião vascular no Einstein e um dos autores da pesquisa, afirmou que o objetivo não foi comparar a qualidade dos sistemas, mas mostrar um retrato da realidade brasileira. "Agora surgem novas perguntas: por que algumas regiões fazem mais cirurgias do que outras? Como otimizar a distribuição de recursos? Como ampliar o acesso ao tratamento?", disse. "Esse trabalho foi um primeiro passo e esperamos que esses dados sirvam de base para orientar futuras políticas públicas."

## Varizes: muito além da estética

As varizes costumam ser lembradas apenas como um incômodo estético, mas estão entre as manifestações mais comuns da doença venosa crônica. A condição pode evoluir com dor, inchaço, alterações na pele, sangramentos e até úlceras de difícil cicatrização quando não tratada.

Segundo Nelson Wolosker, cirurgião vascular, reitor do Ensino Einstein e líder da equipe que conduziu o estudo, o problema começa quando as válvulas existentes nas veias deixam de funcionar adequadamente. Essas estruturas têm a função de bombear o sangue em direção ao coração. "Quando essas válvulas falham, o sangue reflui, se acumula nas pernas e dilata as veias, dando origem às varizes", explicou.

A doença costuma evoluir lentamente ao longo dos anos. Inicialmente, pode causar apenas pequenas alterações visíveis na pele. Com a progressão, surgem sintomas como sensação de peso no final do dia, dor, cansaço e inchaço. Nos casos mais avançados, o aumento da pressão nas veias pode provocar inflamação dos tecidos, alterações na coloração da pele e formar úlceras venosas, capazes de permanecer abertas por meses ou anos.

Além disso, aumenta o risco de trombose venosa profunda e de sangramentos provocados pelo rompimento de varizes mais calibrosas. "A doença venosa crônica não costuma matar, mas pode comprometer muito a qualidade de vida. Há pacientes que deixam de trabalhar, sofrem com a dor crônica e convivem durante anos com feridas nas pernas", afirmou Wolosker.

## Quem mais faz cirurgia de varizes no Brasil

A análise feita pelos pesquisadores do Einstein aponta que 78% das cirurgias de varizes no Brasil foram realizadas em mulheres. Embora seja mais comum no sexo feminino, a doença também acomete homens. Fatores genéticos, envelhecimento, obesidade, gestações e profissões que exigem muitas horas em pé ou sentado aumentam o risco de desenvolver varizes.

## Por que as pessoas demoram a buscar tratamento

Um dos principais desafios para o tratamento é que muitas pessoas ainda enxergam as varizes apenas pelo aspecto estético e acabam adiando a procura por atendimento. "Muitos pacientes só buscam ajuda quando a doença já está causando complicações. Mas é importante entender que as varizes são uma doença progressiva", alertou Ponte. "Mesmo quando a pessoa possui apenas pequenos vasos aparentes, é importante avaliar se existe uma insuficiência venosa mais profunda que ainda não é visível."

## Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico costuma se basear na avaliação clínica e no histórico do paciente. A realização de exames de imagem, como o ultrassom, nem sempre é necessária para confirmar a doença. Na maioria dos casos, o exame é solicitado após o diagnóstico para mapear as veias doentes e planejar o tratamento quando há indicação de algum procedimento invasivo, especialmente a cirurgia.

## Opções de tratamento disponíveis

Atualmente, existem diferentes opções terapêuticas para tratamento das varizes, desde a cirurgia convencional (técnica predominante na rede pública, onde a veia doente é retirada da perna) até a aplicação de laser, radiofrequência e escleroterapia com espuma. A escolha depende das características de cada paciente e de cada quadro. "O objetivo do tratamento das varizes não é apenas melhorar a aparência das pernas, mas interromper a progressão da doença e prevenir as complicações", ressaltou Nelson Wolosker.

Como funciona o SUS para cirurgia de varizes

## Perguntas Frequentes

### Varizes podem causar problemas graves de saúde?

Sim. A doença venosa crônica pode evoluir com dor, inchaço, alterações na pele, sangramentos e úlceras de difícil cicatrização. Também aumenta o risco de trombose venosa profunda.

### O SUS realiza cirurgia de varizes?

Sim, mas o acesso é desigual. Cerca de 75% da população depende do SUS, mas a taxa de procedimentos na saúde suplementar foi quase cinco vezes maior, segundo o estudo do Einstein.

### Qual a diferença entre varizes e vasinhos?

As varizes fazem parte de um espectro conhecido como doença venosa crônica, que atinge desde pequenos "vasinhos" até veias maiores. Ambos indicam insuficiência venosa.

### Quem tem mais risco de desenvolver varizes?

Fatores genéticos, envelhecimento, obesidade, gestações e profissões que exigem muitas horas em pé ou sentado aumentam o risco. A doença é mais comum em mulheres.

### Como prevenir o agravamento das varizes?

O diagnóstico precoce é fundamental. Mesmo com pequenos vasos aparentes, é importante avaliar se existe insuficiência venosa mais profunda. O tratamento visa interromper a progressão da doença.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/varizes-atingem-ate-40-adultos-acesso-ao-tratamento-desigual-brasil/
