Exercício após noite mal dormida preserva memória, diz estudo
Dormir pouco afeta atenção e memória. Estudo da McGill indica que 20 minutos de exercício após privação de sono preservam parte do desempenho cerebral, com efeito similar ao de um cochilo.
Uma noite mal dormida cobra seu preço na atenção, no raciocínio e na memória. Mas um estudo da Universidade McGill, no Canadá, indica que uma sessão curta de exercício pode amenizar parte desse prejuízo. A pesquisa, publicada em 7 de agosto nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), acompanhou 54 adultos jovens que ficaram acordados por 30 horas em laboratório.
Depois desse período, os participantes foram divididos em três grupos: um fez 20 minutos de ciclismo em intensidade moderada a alta, outro dormiu por 90 minutos, e o terceiro permaneceu sentado em uma bicicleta ergométrica, sem atividade. Antes disso, todos tinham observado uma sequência de imagens sem saber que precisariam memorizá-las. Três dias depois, um teste mediu quantas imagens cada um reconhecia.
Quem se exercitou ou dormiu teve desempenho melhor que o grupo de repouso. O reconhecimento das imagens foi cerca de 21% maior entre os que pedalaram e 23% maior entre os que cochilaram. A diferença entre as duas estratégias não foi considerada relevante pelos pesquisadores. Ou seja, uma sessão curta de atividade física pode ter efeito parecido com o de um cochilo na preservação da memória após um período longo sem dormir.
A análise por eletroencefalografia mostrou que os caminhos são diferentes. No grupo que dormiu, houve redução de sinais associados à fadiga, como a atividade de ondas lentas, indicando recuperação parcial do sono perdido. No grupo que se exercitou, os marcadores de cansaço permaneceram elevados, semelhantes aos do grupo controle, mas a memória melhorou mesmo assim. O ganho parece estar ligado à forma como o cérebro processa as informações no momento em que são vistas, e não à redução do cansaço.
O pesquisador Marc Roig, autor do estudo, afirmou em comunicado: "Nossos resultados mostram que mesmo uma breve sessão de exercícios pode ajudar a preservar uma de nossas habilidades cognitivas mais importantes". Para quem trabalha em turnos ou enfrenta noites curtas, a dica é concreta: se não der para descansar, 20 minutos de movimento podem fazer diferença no dia seguinte. O estudo não sugere substituir o sono, mas oferece uma alternativa quando ele não vem.