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Trump anuncia medida contra monopólio da carne após críticas a empresas brasileiras

ResumoDonald Trump anunciou medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção, visando reduzir a concentração no setor de carnes dos EUA. A ofensiva atinge diretamente duas empresas de origem brasileira, JBS e Marfrig, que dominam o mercado americano de processamento de carne. A proposta busca ampliar a concorrência e dar mais autonomia aos produtores locais.

Donald Trump afirmou que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção, em nova ofensiva contra a concentração do setor de carnes nos EUA, que tem entre seus principais atores duas empresas de origem brasileira.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 31 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Trump anuncia medida contra monopólio da carne após críticas a empresas brasileiras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (28) que prepara medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem a própria produção, em nova ofensiva contra a concentração do setor de carnes no país, que tem entre seus principais atores duas empresas de origem brasileira. O anúncio ocorre dois dias depois de Trump afirmar em um podcast que existe um monopólio no processamento de carne bovina nos EUA e pouco mais de duas semanas após seu conselheiro comercial, Peter Navarro, acusar quatro grandes empresas do setor de formar um cartel.

"Há, essencialmente, quatro delas, um número nada competitivo, e elas tornam horrível a vida dos nossos maravilhosos agricultores e pecuaristas", escreveu Trump nesta sexta-feira, sem citar nominalmente as companhias. O movimento também ocorre na esteira da disparada dos preços de proteínas de origem animal nos EUA e da redução do rebanho. Um quilo de carne moída chegou a US$ 6,759 (R$ 35,10) em janeiro deste ano, de acordo com o Federal Reserve Economic Data, um aumento de 18% em comparação com o ano passado. Em números oficiais, a inflação da carne foi de 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o índice de preços ao consumidor divulgado pelo Departamento do Trabalho.

As quatro maiores processadoras de carne bovina nos EUA são JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef e, juntas, controlam cerca de 85% do mercado. Duas têm ligação com o Brasil: a JBS tem origem brasileira, enquanto a National Beef é controlada pela MBRF. A reportagem procurou ambas as empresas por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Trump afirmou que parte significativa da propriedade das grandes processadoras está fora dos EUA e disse ter autorizado a preparação de documentos jurídicos para que produtores tenham "o direito de processar seus próprios alimentos". O presidente não detalhou quais regras pretende alterar. A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que o governo prepara uma série de anúncios a partir de segunda-feira (31) para fortalecer produtores e pequenos processadores, incluindo redução de burocracia, ampliação das vendas entre estados e desregulamentação.

A iniciativa dá continuidade a uma discussão iniciada publicamente durante entrevista de Trump ao apresentador Glenn Beck, dono de um rancho, que disse ao presidente que as regras federais dificultavam que pecuaristas processassem os próprios animais. Trump respondeu que analisaria se havia regulamentação excessiva no setor. A legislação impede que pecuaristas comercializem carne de animais abatidos e processados por eles próprios sem inspeção federal, embora existam exceções. A fiscalização é realizada pelo Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura.

A possibilidade de flexibilizar essas regras já provocou reação de representantes do setor. O Meat Institute, que representa processadoras, afirmou que permitir a comercialização de carne sem inspeção pode colocar em risco a segurança alimentar. Já a National Cattlemen's Beef Association, representante de pecuaristas, apoiou a redução de regulamentações, mas defendeu a manutenção dos padrões de inspeção.

A ofensiva da Casa Branca ganhou força neste mês. Em entrevista a jornalistas no dia 11, Navarro afirmou que as quatro maiores empresas constituem um "cartel" e destacou a presença brasileira. "E fica pior porque duas das quatro empresas são de propriedade brasileira e estão envolvidas até o pescoço com os chineses", afirmou. Navarro também acusou as empresas de pagar menos aos pecuaristas e cobrar preços mais altos dos supermercados. Na época, a MBRF afirmou que opera "em estrita conformidade com as leis de defesa da concorrência" e que possui parceria com aproximadamente 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital da companhia. A JBS não se pronunciou.

Na quarta-feira (26), Trump assinou medida para ampliar temporariamente em 300 mil toneladas a cota de carne bovina magra com tarifa reduzida, para diminuir preços. A estratégia provocou críticas de pecuaristas americanos, que temem pressão sobre os preços recebidos pelos produtores locais.

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