Telas na primeira infância prejudicam o desenvolvimento cerebral
Telas na primeira infância prejudicam o desenvolvimento cerebral, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Saiba os riscos e as recomendações para cada idade.
Telas na primeira infância prejudicam o desenvolvimento cerebral, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A entidade atualizou, em 2026, as recomendações sobre o uso saudável de tecnologias e mídias. O alerta ganha força com o acesso ampliado à internet, que trouxe oportunidades educacionais, mas também desafios ao desenvolvimento neuropsicomotor.
Segundo a SBP, a primeira infância é marcada por intensa plasticidade cerebral. Experiências interpessoais são determinantes para a organização de circuitos neurais ligados à linguagem, autorregulação e funções executivas. Estudos relacionam o tempo de tela nessa fase a atraso de linguagem, pior desempenho do desenvolvimento e prejuízo em funções executivas.
A gestora educacional Raquel Nazário, especialista em alfabetização, explica: "Quando a tela passa a ocupar o espaço da brincadeira livre, da conversa, do movimento e da interação com outras crianças e adultos, a criança perde experiências essenciais para o desenvolvimento". Ela ressalta que o aprendizado na infância acontece pelo corpo em movimento, pela linguagem compartilhada, pelo faz de conta e pela exploração concreta do ambiente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda evitar telas antes dos 2 anos e limitar a 1 hora diária entre 2 e 5 anos. A SBP reforça essas orientações. Na idade escolar, o uso estruturado de recursos digitais pode favorecer a aprendizagem, mas revisões sistemáticas associam o uso recreativo excessivo a sintomas depressivos, sedentarismo, obesidade e prejuízos ao sono.
No Brasil, marcos legais protegem a infância no ambiente digital: o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), a LGPD (Lei nº 13.709/2018) e a Resolução nº 245/2024 do Conanda. Em 2023, foi criada a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas; em 2025, a Lei nº 15.100 restringiu celulares nas escolas durante aulas, recreios e intervalos.
Na educação infantil, a SBP recomenda evitar telas, restringindo a situações pedagógicas, e priorizar leitura física, brincadeiras simbólicas e interação social. No fundamental e médio, o uso pode ter intenção pedagógica, com limite ao recreativo. Eixos transversais incluem preservar o sono, estimular atividade física e fortalecer interações offline.
"A questão central não é demonizar a tecnologia, mas lembrar que, na infância, nenhuma tela substitui o valor de uma criança brincando, perguntando, criando e se relacionando com o mundo real", finaliza Raquel Nazário.