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Tédio e ansiedade em cães: 5 sinais para observar

Tédio e ansiedade em cães nem sempre aparecem como bagunça. Às vezes, começam com um latido a mais, um sofá roído ou aquele olhar fixo no tutor pelo corredor. Eu, que cresci vendo cachorro de quintal virar membro da família, sei como esses sinais passam batido até virarem rotina.

Os cinco sinais mais comuns, segundo a especialista em comportamento animal Beatriz França, são: destruir objetos, latir além do habitual, seguir o tutor por toda a casa, ficar apático e ter dificuldade para relaxar. Mas o alerta só vale quando há mudança no padrão do animal. Um cachorro que sempre foi quieto e passa a vocalizar muito, por exemplo, merece atenção.

Uma pesquisa publicada na revista Veterinary Research Communications, com dados de 43.517 cães do Dog Aging Project, identificou que mais de 84% apresentavam algum nível de medo ou ansiedade em situações do cotidiano. O material ressalta que os resultados vieram de relatos dos tutores e não representam diagnósticos clínicos.

Beatriz, fundadora da Creche Escola BFA, no Brasil, e da PETland BFA, em Miami, reforça que o contexto vem antes da correção. "Roer móveis, destruir almofadas, sapatos ou objetos da casa pode estar relacionado à necessidade de explorar e gastar energia, mas também pode aparecer em situações de ansiedade", diz. Se a destruição acontece quando o cão fica sozinho, pode haver dificuldade com a separação.

Tem também o cão que parece sempre procurando o que fazer: anda pela casa, pede atenção o tempo inteiro, muda de atividade e não descansa. Muitos tutores leem isso como excesso de energia, mas pode ser falta de autorregulação. E o contrário também existe: alguns animais ficam mais quietos, dormem mais e perdem o interesse por brincadeiras. Essa apatia costuma passar despercebida porque o bicho "parece calmo".

A orientação de Beatriz é não partir direto para o aumento de exercício. "O cachorro não precisa apenas correr. Ele precisa explorar, farejar, interagir, aprender e ter momentos de descanso", completa. Enriquecimento ambiental, estímulos mentais e rotina previsível ajudam, mas a causa vem primeiro.

Se a mudança for repentina ou vier com alterações no apetite, sono ou interação, o primeiro passo é conversar com um veterinário. Sem causa clínica, um profissional de comportamento pode identificar gatilhos. No fim, o mais importante é conhecer o próprio cachorro. Como diz Beatriz, comportamento é a forma que o animal tem de mostrar como se sente. E isso, quem vive no interior sabe, vale mais que qualquer receita pronta. enriquecimento ambiental para cães

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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