# Tarifas dos EUA: Brasil busca novos parceiros, mas dependência da China preocupa

> A política tarifária dos Estados Unidos em 2025 impulsionou o Brasil a buscar novos parceiros comerciais para reduzir riscos. O aumento da participação chinesa nas exportações brasileiras, no entanto, gerou alerta sobre dependência econômica. A diversificação de mercados tornou-se estratégia central para mitigar vulnerabilidades externas.

*Portal Notícias MG · Serviços · 15 de julho de 2026 · Ronaldo Pimenta*

As tarifas impostas pelos Estados Unidos aceleraram a diversificação de parceiros comerciais do Brasil em 2025. No entanto, o aumento da fatia chinesa nas exportações brasileiras acendeu alerta sobre a dependência econômica. Entenda os números e os riscos.

As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao longo de 2025 redirecionaram o fluxo de exportações brasileiras para novos mercados, mas o movimento escancarou um dilema: a crescente dependência da China. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a participação chinesa nas vendas externas do Brasil atingiu 32% em maio de 2026, o maior percentual já registrado. Enquanto isso, as exportações para os EUA caíram 18% no primeiro semestre de 2026.

## Como as tarifas dos EUA afetaram o comércio brasileiro

As tarifas americanas, anunciadas em outubro de 2025, elevaram em 15 pontos percentuais a alíquota média sobre produtos brasileiros como aço, alumínio e café solúvel. O Brasil respondeu com a abertura de novos canais diplomáticos e acordos comerciais com países do Sudeste Asiático e da América do Sul.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, as exportações para a Indonésia cresceram 34% entre janeiro e abril de 2026, puxadas por carne bovina e farelo de soja. O Vietnã também ampliou em 27% as compras de milho e algodão brasileiros no mesmo período.

### Argentina volta a ser parceira estratégica

A Argentina, que havia perdido espaço no comércio bilateral nos anos anteriores, retomou relevância. As exportações brasileiras para o país vizinho cresceram 22% no primeiro trimestre de 2026, impulsionadas por veículos e autopeças. O governo brasileiro negociou a redução de barreiras tarifárias para 40 produtos industriais.

## Dependência da China: o lado preocupante

Apesar da diversificação, a China consolidou-se como principal destino das exportações brasileiras. Em 2025, o país asiático respondeu por 30,5% das vendas externas do Brasil. Em maio de 2026, esse percentual subiu para 32%. O aumento foi puxado por soja, minério de ferro e petróleo.

Especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alertam que a concentração acima de 30% torna a balança comercial brasileira vulnerável a desacelerações na economia chinesa. Uma queda de 1% no PIB chinês pode reduzir as exportações brasileiras em até 2,5%, segundo estimativas do Banco Central.

### O que isso significa para o agronegócio

O agronegócio é o setor mais exposto. Em 2025, 42% da soja brasileira foi para a China. Com as tarifas dos EUA, produtores brasileiros redirecionaram parte da produção para a Ásia, mas o mercado chinês continua sendo o maior comprador. Uma eventual crise no setor imobiliário chinês ou uma desaceleração na demanda por commodities teria impacto direto no campo.

## O papel do governo brasileiro na diversificação

O governo federal lançou em fevereiro de 2026 o programa "Rotas Globais", com incentivos fiscais para empresas que exportarem para países da África e do Oriente Médio. A iniciativa prevê redução de 30% no Imposto de Exportação para produtos com destino a 15 países africanos.

Além disso, o Brasil retomou negociações para um acordo de livre comércio com a Indonésia, que deve ser assinado até o fim de 2026. O acordo pode ampliar em 40% o comércio bilateral em três anos.

## Riscos e cenários futuros

A consultoria MacroSector projetou dois cenários para 2027. No cenário base, com manutenção das tarifas americanas, a participação chinesa nas exportações brasileiras chega a 34%. No cenário adverso, com recessão na China, o Brasil perderia até US$ 12 bilhões em receitas de exportação.

O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de junho de 2026, destacou que a dependência chinesa é um dos principais riscos para a balança comercial brasileira. A instituição recomenda a aceleração de acordos com a União Europeia e com países do Pacífico.

## Perguntas Frequentes

### Quais países o Brasil passou a exportar mais após as tarifas dos EUA?

Argentina, Indonésia e Vietnã foram os principais destinos que ampliaram as compras de produtos brasileiros em 2026.

### Qual é o percentual atual das exportações brasileiras para a China?

Em maio de 2026, a China respondeu por 32% das exportações do Brasil, o maior patamar histórico.

### As tarifas dos EUA ainda estão em vigor?

Sim. As tarifas sobre aço, alumínio e café solúvel continuam valendo, sem previsão de suspensão.

### O que o governo brasileiro está fazendo para reduzir a dependência da China?

O governo lançou o programa "Rotas Globais" para incentivar exportações para África e Oriente Médio, além de negociar acordos com Indonésia e União Europeia.

### Qual o risco de uma crise na China para o Brasil?

Uma queda de 1% no PIB chinês pode reduzir as exportações brasileiras em até 2,5%, segundo o Banco Central.

### O agronegócio é o setor mais afetado?

Sim. A soja, o minério de ferro e o petróleo são os produtos mais exportados para a China, e qualquer desaceleração chinesa impacta diretamente esses setores.

---

Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/tarifas-eua-empurraram-brasil-outros-parceiros-comerciais-mas-dependencia-chines/
