# Tarifaço: Retaliação não ajudará Brasil em relações com EUA, diz ex-OMC

> Ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) afirmou que retaliação comercial não fortalecerá o Brasil nas negociações com os Estados Unidos. Especialista aponta riscos de isolamento e sugere via diplomática como caminho mais eficaz para proteger a economia nacional diante do tarifaço.

*Portal Notícias MG · Serviços · 16 de julho de 2026 · Marília Stefani*

Ex-diretor da OMC afirma que retaliação comercial não fortalecerá o Brasil nas negociações com os EUA. Especialista aponta riscos de isolamento e sugere via diplomática como caminho mais eficaz para proteger a economia nacional.

O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) avalia que uma retaliação do Brasil ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos seria ineficaz e poderia prejudicar as relações bilaterais. Em vez de contra-atacar com barreiras comerciais, o país deveria priorizar a negociação direta com Washington e usar os canais multilaterais da OMC para contestar as tarifas.

Para ex-diretor da OMC, retaliação comercial brasileira ao tarifaço americano não trará benefícios. A medida pode isolar o Brasil diplomaticamente e prejudicar setores exportadores. O caminho mais eficaz, segundo ele, é fortalecer a negociação bilateral e recorrer a mecanismos multilaterais de solução de controvérsias, sem escalada de tarifas.

## Por que a retaliação pode ser prejudicial ao Brasil

A experiência de ex-diretores da OMC mostra que retaliações comerciais raramente trazem ganhos líquidos. Quando um país impõe tarifas de resposta, o outro lado tende a escalar a disputa, criando um ciclo que encarece produtos e reduz o comércio para ambas as economias. No caso brasileiro, o risco é ainda maior porque os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, atrás apenas da China.

Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 38,5 bilhões em 2024. Uma retaliação ampla poderia atingir setores estratégicos como a indústria de transformação e o agronegócio, que dependem do mercado americano para escoar produtos como aço, carne de frango e suco de laranja. O ex-diretor da OMC ressalta que o Brasil não tem poder de fogo para vencer uma guerra tarifária com os EUA.

## Alternativas diplomáticas e multilaterais

A OMC oferece um sistema de solução de controvérsias que permite ao Brasil questionar tarifas consideradas ilegais sem precisar retaliar de imediato. O Brasil já utilizou esse mecanismo em disputas anteriores, como no caso do algodão contra os EUA, e obteve vitórias parciais. O ex-diretor da OMC sugere que o país acione o órgão assim que as tarifas forem formalizadas, enquanto mantém canais abertos de negociação bilateral.

Outra alternativa é buscar acordos comerciais com outros parceiros para reduzir a dependência do mercado americano. O Brasil tem negociações avançadas com a União Europeia e com países asiáticos, que podem absorver parte da produção hoje destinada aos EUA. No entanto, essa transição leva tempo e não substitui a necessidade de resolver o conflito imediato.

## O papel do governo brasileiro na crise

O governo brasileiro sinalizou que não pretende retaliar de forma automática. O Ministério das Relações Exteriores avalia que a via diplomática é prioritária, mas não descarta medidas de defesa comercial caso as negociações não avancem. O ex-diretor da OMC defende que o Brasil atue com cautela, evitando declarações que possam ser interpretadas como provocação.

A experiência de países que retaliaram os EUA em governos anteriores mostra que a escalada tarifária tende a prejudicar mais o retaliador do que os EUA. A China, por exemplo, sofreu retaliações ainda mais duras após responder às tarifas de Trump em 2018 guerra comercial EUA-China. O Brasil pode evitar esse erro ao adotar uma postura pragmática.

## Impactos setoriais da retaliação

Setores como o agronegócio e a siderurgia seriam os mais afetados por uma retaliação brasileira. A indústria de aço, que já enfrenta concorrência chinesa, poderia perder acesso ao mercado americano, que compra cerca de 30% das exportações brasileiras do setor. Já o agronegócio, responsável por 40% das exportações totais do país, veria suas margens reduzidas se as tarifas de retaliação encarecerem insumos importados.

O ex-diretor da OMC lembra que o Brasil depende de fertilizantes importados dos EUA e de outros países. Uma retaliação que inclua esses insumos poderia elevar os custos de produção agrícola, prejudicando a competitividade do setor. Por isso, ele defende que qualquer medida de retaliação seja cirúrgica e focada em produtos que não afetem a cadeia produtiva nacional.

## O que dizem os especialistas em comércio exterior

Especialistas em comércio exterior consultados pela reportagem concordam que a retaliação não é o melhor caminho. A economista Vera Thorstensen, ex-negociadora do Brasil na OMC, afirma que o país deve usar o sistema multilateral para contestar as tarifas, mas sem abandonar a negociação bilateral. Já o advogado especialista em comércio internacional, Welber Barral, defende que o Brasil busque acordos com outros países para diversificar seus parceiros comerciais.

Ambos os especialistas alertam que o Brasil não deve agir por impulso. A retaliação pode ser usada como ferramenta de barganha, mas não como primeira resposta. O ex-diretor da OMC reforça que o país tem condições de negociar de forma equilibrada, desde que mantenha a calma e a estratégia de longo prazo.

## Perguntas Frequentes

### O que é o tarifaço americano?

É a imposição de tarifas de importação elevadas sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo Trump em 2025, como parte de sua política protecionista.

### Por que a retaliação pode ser ruim para o Brasil?

Porque pode isolar o Brasil diplomaticamente, prejudicar setores exportadores e gerar uma escalada tarifária que encarece produtos e reduz o comércio bilateral.

### Quais são as alternativas à retaliação?

Negociação bilateral direta com os EUA, acionamento do sistema de solução de controvérsias da OMC e busca de acordos comerciais com outros parceiros.

### O governo brasileiro já tomou alguma medida?

O governo sinalizou que prioriza a via diplomática, mas não descarta medidas de defesa comercial caso as negociações não avancem.

### Quais setores seriam mais afetados por uma retaliação?

Agronegócio, siderurgia e indústria de transformação seriam os mais impactados, tanto por perder acesso ao mercado americano quanto por encarecer insumos importados.

### Como o Brasil pode se proteger sem retaliar?

Diversificando parceiros comerciais, fortalecendo acordos regionais e usando o sistema multilateral da OMC para contestar tarifas ilegais.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/tarifaco-retaliacao-nao-ajudara-brasil-relacoes-eua-diz-ex-omc/
