Tarifaço: diversificação pode mitigar impacto, diz sócio da Pinheiro Neto
O tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros preocupa exportadores, mas a diversificação de destinos pode mitigar o impacto, avalia o sócio da Pinheiro Neto. A estratégia envolve redirecionar embarques para Ásia e Europa, aproveitando acordos comerciais existentes.
Tarifaço: Diversificação pode mitigar impacto, diz sócio da Pinheiro Neto
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor em maio de 2026, elevando as alíquotas sobre aço, alumínio, café e suco de laranja. A medida, anunciada pela administração Trump em abril, gerou apreensão entre exportadores mineiros, que respondem por 12% das vendas externas do estado. Para o sócio da Pinheiro Neto Advogados, especialista em comércio internacional, a diversificação de mercados é a saída mais viável para conter perdas.
Segundo o Banco Central, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 35,2 bilhões em 2025, com destaque para manufaturados e commodities. O tarifaço, que varia de 15% a 25% conforme o produto, pode reduzir esse fluxo em até 8% no curto prazo, estimam analistas. Mas a diversificação, na avaliação do advogado, permite redirecionar embarques para Ásia e Europa sem comprometer a receita total.
O que é o tarifaço e como ele afeta o Brasil
O tarifaço é uma sobretaxa aplicada pelos EUA a importações de setores considerados estratégicos. A justificativa oficial é proteger a indústria americana, mas o impacto recai sobre países como o Brasil, que tem superávit comercial com os norte-americanos. Em Minas Gerais, o setor siderúrgico é o mais exposto: a Usiminas, com planta em Ipatinga, exporta 30% da produção para os EUA.
A medida já provocou reações no Congresso brasileiro. Na Câmara, o deputado mineiro Reginaldo Lopes (PT) protocolou requerimento cobrando do Itamaraty uma contraproposta. Já o senador Carlos Viana (Podemos) defendeu a abertura de novos acordos bilaterais. Em Belo Horizonte, a Associação Comercial estima que 2 mil empregos diretos estão em risco nos próximos seis meses.
Diversificação como estratégia de mitigação
O sócio da Pinheiro Neto, que atua há 20 anos em arbitragem internacional, recomenda que empresas diversifiquem seus destinos de exportação. "O Brasil já tem acordos com a China e a União Europeia que podem absorver parte do volume desviado dos EUA", afirmou em evento na Fiemg no dia 10 de junho. A China, maior parceira comercial do país, comprou US$ 89 bilhões em produtos brasileiros em 2025.
Na prática, a diversificação envolve três frentes:
- Redirecionar embarques de aço e minério para a Ásia, onde a demanda por infraestrutura cresce 4% ao ano.
- Ampliar vendas de café e suco de laranja para a Europa, aproveitando o acordo Mercosul-UE, que reduz tarifas em até 12%.
- Buscar novos mercados no Oriente Médio e na África, com potencial de crescimento de 7% ao ano.
Impacto no orçamento das empresas mineiras
A decisão política em Washington tem efeitos concretos no caixa das companhias. A Coteminas, de Montes Claros, que exporta tecidos para os EUA, já anunciou revisão de metas. O tarifaço pode elevar o custo logístico em 5% para quem optar por novos destinos, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mas a diversificação, se bem planejada, mantém a margem de lucro acima de 10%.
Na Assembleia Legislativa de Minas, o deputado estadual Gustavo Valadares (PSDB) propôs a criação de um fundo estadual de apoio à exportação, com R$ 50 milhões iniciais. O projeto, em tramitação na Comissão de Fiscalização Financeira, prevê linhas de crédito com juros de 6% ao ano para empresas que diversificarem seus mercados.
Riscos e limitações da estratégia
A diversificação não é solução para todos. Pequenos produtores de queijo e cachaça, por exemplo, têm dificuldade de acesso a mercados asiáticos por falta de certificação sanitária. O Ministério da Agricultura iniciou em maio um programa de adequação, mas a burocracia ainda trava 30% dos processos.
Além disso, o tarifaço pode se estender a outros setores. O governo americano sinalizou que vai revisar as tarifas sobre calçados e móveis em julho. Para o sócio da Pinheiro Neto, "a diversificação precisa ser acompanhada de negociação diplomática para evitar escalada".
Próximos passos
O Itamaraty já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em maio, questionando a legalidade do tarifaço. A expectativa é de que a consulta formal ocorra em até 60 dias. Enquanto isso, as empresas mineiras correm para fechar contratos com compradores na China e na Europa. A Fiemg promove em julho uma rodada de negócios com 50 importadores asiáticos.
Como o tarifaço afeta o agronegócio mineiro Alternativas de crédito para exportadores em Minas
Perguntas Frequentes
O tarifaço já está valendo?
Sim, desde maio de 2026, com alíquotas de 15% a 25% sobre aço, alumínio, café e suco de laranja.
Quais setores mineiros são mais afetados?
Siderurgia, café e suco de laranja, que juntos respondem por 40% das exportações do estado para os EUA.
A diversificação realmente funciona?
Segundo o sócio da Pinheiro Neto, sim, desde que acompanhada de planejamento logístico e acesso a certificações.
O que o governo brasileiro está fazendo?
O Itamaraty acionou a OMC e negocia acordos bilaterais com China e União Europeia.
Como pequenas empresas podem se adaptar?
O fundo estadual proposto na ALMG oferece crédito com juros baixos para diversificação de mercados.