Serviços

Tabaco brasileiro perde competitividade com sobretaxas dos EUA em 2026

ResumoO tabaco brasileiro enfrenta perda de competitividade no mercado dos EUA devido a sobretaxas impostas em 2026. As exportações do produto caíram 12% em 2025, levando produtores a buscar novos mercados na Ásia e África para compensar a redução nas vendas ao maior consumidor mundial.

As sobretaxas impostas pelos EUA ao tabaco brasileiro reduziram a competitividade do produto no maior mercado consumidor do mundo. Em 2025, as exportações caíram 12% e produtores buscam novos mercados na Ásia e África. Entenda os números e as perspectivas.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 16 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Tabaco brasileiro perde competitividade com sobretaxas dos EUA em 2026

Tabaco brasileiro perde competitividade com sobretaxas dos EUA

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos ao tabaco brasileiro reduziram a competitividade do produto no maior mercado consumidor do mundo. Em 2025, as exportações brasileiras de tabaco para os EUA caíram 12%, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A medida, que elevou o custo do produto em até 25%, pressiona produtores e abre caminho para concorrentes como Zimbábue e Malawi.

As sobretaxas dos EUA ao tabaco brasileiro, aplicadas desde 2024, elevaram o custo do produto em até 25% no mercado americano. Em 2025, as exportações brasileiras de tabaco para os EUA caíram 12%, segundo dados da Secex. O Brasil, maior exportador global, busca alternativas na Ásia e na África para compensar as perdas.

O peso das sobretaxas na fumicultura brasileira

O Brasil é o maior exportador mundial de tabaco desde 1993, com vendas anuais superiores a US$ 2 bilhões. Os Estados Unidos respondiam por cerca de 20% desse total até 2023. Com a sobretaxa de 25% imposta pelo governo americano em 2024, o tabaco brasileiro perdeu espaço para fornecedores africanos.

Dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) indicam que a participação brasileira no mercado americano caiu de 18% para 14% entre 2023 e 2025. "A sobretaxa inviabiliza margens que já eram apertadas", afirma o presidente da Afubra, Romeu Schneider.

Impacto na balança comercial

A queda nas exportações para os EUA gerou um déficit de US$ 250 milhões na balança comercial do setor em 2025, conforme estimativas do Ministério da Agricultura. O Sul do Brasil, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, concentra 95% da produção nacional e sente o impacto diretamente.

Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), 30 mil famílias dependem da fumicultura no estado. "Cada ponto percentual de perda de mercado representa centenas de propriedades rurais em dificuldade", diz o economista da Farsul, Antônio da Luz.

Estratégias de diversificação de mercado

Diante das barreiras americanas, o setor busca novos compradores. A China, que importou US$ 400 milhões em tabaco brasileiro em 2025, tornou-se o segundo maior mercado, atrás apenas da União Europeia. O Egito e a Indonésia também ampliaram as compras em 15% e 10%, respectivamente.

A África do Sul, tradicional concorrente no mercado americano, aproveitou a brecha para aumentar sua participação nos EUA em 8 pontos percentuais. "O tabaco brasileiro é de qualidade superior, mas o preço final pesa mais na decisão de compra", explica o consultor de comércio exterior Carlos Eduardo de Freitas.

Inovação e agregação de valor

Produtores brasileiros investem em tabaco orgânico e certificações socioambientais para se diferenciar. A Afubra lançou em 2025 o selo "Tabaco Sustentável do Brasil", que já certificou 12 mil propriedades. O objetivo é conquistar nichos premium que aceitem pagar mais pelo produto.

"Quem faz fumicultura há décadas sabe que a competitividade não se resume a preço. A rastreabilidade e a responsabilidade social contam cada vez mais", afirma o produtor de Santa Cruz do Sul, João Carlos Machado.

O papel da diplomacia comercial

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em janeiro de 2026 para contestar as sobretaxas. O Ministério das Relações Exteriores argumenta que a medida viola acordos bilaterais e afeta o comércio justo. A expectativa é de uma decisão favorável até 2027.

Enquanto isso, o Brasil negocia acordos com o Mercosul e a União Europeia para reduzir tarifas de importação de tabaco processado. "A diversificação de mercados é uma necessidade estratégica, não apenas uma reação às sobretaxas", avalia o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz.

Perspectivas para 2026 e 2027

A recuperação das exportações para os EUA depende da resolução na OMC ou de uma revisão da política tarifária americana. Até lá, o setor aposta no crescimento de 8% nas vendas para a Ásia e de 5% para a África, segundo projeções da Afubra.

"O cenário é de desafio, mas não de desespero. O tabaco brasileiro tem qualidade reconhecida e uma base produtiva resiliente", conclui Romeu Schneider.

Perguntas Frequentes

Quanto o Brasil perdeu em exportações de tabaco para os EUA em 2025?

As exportações caíram 12%, gerando um déficit estimado de US$ 250 milhões na balança comercial do setor.

Por que os EUA aplicaram sobretaxas ao tabaco brasileiro?

A medida foi justificada por alegações de subsídios governamentais ao setor, contestadas pelo Brasil na OMC.

Quais países podem substituir os EUA como compradores?

China, Egito e Indonésia ampliaram as compras em 2025, com destaque para a China, que importou US$ 400 milhões.

O tabaco brasileiro é competitivo em outros mercados?

Sim, especialmente na União Europeia e na Ásia, onde a qualidade superior e as certificações socioambientais são valorizadas.

Como os produtores estão se adaptando?

Investindo em tabaco orgânico, certificações e buscando novos mercados na Ásia e África, além de negociar acordos comerciais.

impactos das tarifas americanas no agronegócio como a fumicultura se adapta a barreiras comerciais mercado de tabaco na China: oportunidades para o Brasil

// Leia também

Publicidade