Suzano aposta em geração de valor após investimentos bilionários: nova fase
Depois de investir mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos, a Suzano concentra esforços em aumentar a competitividade dos ativos já instalados. A nova fase prioriza produtividade florestal, eficiência operacional e inovação, sem previsão de novos projetos de expansão de capa
Suzano aposta em geração de valor após investimentos bilionários
A Suzano entrou em uma nova fase de sua estratégia de crescimento depois de investir mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos. Com a execução de projetos para ampliar a capacidade de produção de celulose, a companhia concentra esforços em aumentar a competitividade dos ativos já instalados, com foco em produtividade florestal, eficiência operacional e inovação. A Suzano concentra esforços em aumentar a competitividade dos ativos já instalados após investir mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos. A nova fase prioriza produtividade florestal, eficiência operacional e inovação, sem previsão de novos projetos de expansão de capacidade de celulose.
O que muda na estratégia da Suzano após os investimentos bilionários
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, o vice-presidente executivo florestal da Suzano, Douglas Lazaretti, afirmou que o objetivo é extrair o máximo retorno dos investimentos realizados recentemente. Eles incluem a construção da fábrica do Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS), além da expansão da base florestal e de iniciativas voltadas à integração da cadeia produtiva.
"Nós investimos mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos, tanto na geração de novos negócios quanto na expansão da base de terras e florestas para sustentar o crescimento da companhia. Agora, nosso grande foco é gerar o máximo valor desses investimentos, aumentando a competitividade dos ativos e reforçando a excelência operacional", afirmou.
Para Minas Gerais, onde a Suzano mantém operações florestais relevantes, a mudança de estratégia sinaliza busca por eficiência na base já instalada, o que pode significar estabilidade na geração de empregos locais, sem grandes ondas de contratação para novos projetos.
Produtividade florestal como pilar da competitividade
Segundo o executivo, a estratégia passa por elevar a produtividade das florestas, reduzir custos logísticos e ampliar a autossuficiência no fornecimento de madeira. Esses fatores são considerados decisivos para manter a liderança da companhia no mercado global de celulose.
Lazaretti explica que um dos principais indicadores de competitividade é a distância média entre as florestas e as fábricas. Como o transporte de madeira representa uma parcela relevante do custo de produção, a empresa busca reduzir continuamente esse raio logístico.
"O Projeto Cerrado contribui significativamente para diminuir o raio médio entre nossas florestas e as fábricas. Nossa expectativa é operar, nos próximos anos, com uma distância média próxima de 150 quilômetros, um patamar bastante competitivo", disse.
Em Minas, a redução do raio logístico pode beneficiar regiões produtoras de eucalipto, como o Vale do Jequitinhonha e o Triângulo Mineiro, onde a empresa mantém bases florestais. Menor distância significa menos custo com frete e mais margem para investir em tecnologia e mão de obra local.
Autossuficiência em madeira em meio à disputa por matéria-prima
Outro eixo da estratégia é garantir a autossuficiência de madeira em um cenário de maior disputa por matéria-prima no Brasil.
"O crescimento da oferta de madeira tem sido inferior ao aumento da demanda. Entre 2019 e 2024, a base florestal brasileira cresceu 9%, enquanto o consumo avançou 19%. Por isso, estamos trabalhando para aumentar nossa autossuficiência e reduzir a dependência do mercado de terceiros", afirmou Lazaretti.
Para o produtor rural mineiro que fornece madeira para a indústria de celulose, a estratégia de autossuficiência da Suzano pode significar menor demanda por terceirização no futuro, mas também uma pressão para que os fornecedores locais se tornem mais competitivos em produtividade e escala.
Sem novos projetos de expansão por enquanto
Apesar dos investimentos recentes, a empresa não prevê, neste momento, novos projetos para ampliar a capacidade instalada de produção de celulose. "Nosso foco é aumentar a produtividade das florestas para sustentar a capacidade já instalada", destacou Lazaretti.
Na frente comercial, a estratégia é diversificar mercados e ampliar a integração da cadeia produtiva, reduzindo gradualmente a exposição ao mercado chinês. Essa diversificação pode abrir novas oportunidades para a celulose mineira em outros mercados internacionais.
Inovação e biotecnologia como diferencial competitivo
O executivo destaca que a principal vantagem da Suzano está na produtividade das florestas brasileiras de eucalipto. Fatores como clima, solo e melhoramento genético permitem ciclos produtivos muito mais curtos do que os observados em outras regiões do mundo.
Segundo Lazaretti, os investimentos em inovação estão voltados tanto para elevar a produtividade quanto para aumentar a resiliência das florestas diante dos efeitos das mudanças climáticas.
"Precisamos desenvolver florestas que produzam mais, mas que também sejam mais resistentes aos períodos de seca e ao surgimento de novas pragas. Essa é uma frente importante dos nossos investimentos em tecnologia", ressaltou.
O executivo afirmou que a companhia exerce papel estratégico no desenvolvimento de novas tecnologias para o melhoramento genético do eucalipto, embora os materiais transgênicos ainda permaneçam restritos à pesquisa. "Nossa base florestal, de 1,7 milhão de hectares, é integralmente composta por eucalipto clonado", destacou.
Para Lazaretti, o investimento contínuo em biotecnologia e no desenvolvimento do maior banco genético de eucalipto do mundo é um dos fatores que sustentam a competitividade florestal da Suzano e da indústria brasileira de celulose.
Impacto para Minas Gerais: emprego e renda na lavoura de eucalipto
A estratégia da Suzano de focar em produtividade e eficiência, sem novos projetos de expansão, tem reflexos diretos no mercado de trabalho mineiro. Em regiões como o Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas, onde a empresa mantém bases florestais, a tendência é de manutenção dos postos de trabalho existentes, com possível aumento da demanda por mão de obra qualificada em biotecnologia e manejo florestal.
A redução do raio logístico e a busca por autossuficiência também podem beneficiar fornecedores locais de madeira, desde que consigam se adaptar aos padrões de produtividade exigidos pela companhia.
Perguntas Frequentes
O que mudou na estratégia da Suzano após os investimentos bilionários?
A empresa entrou em uma nova fase focada em gerar valor dos ativos já instalados, priorizando produtividade florestal, eficiência operacional e inovação, sem prever novos projetos de expansão de capacidade.
Quanto a Suzano investiu nos últimos cinco anos?
A companhia investiu mais de R$ 70 bilhões nos últimos cinco anos, segundo o vice-presidente executivo florestal, Douglas Lazaretti.
Qual é a expectativa de distância média entre florestas e fábricas?
A Suzano espera operar nos próximos anos com uma distância média próxima de 150 quilômetros entre as florestas e as fábricas.
A Suzano vai construir novas fábricas de celulose?
Não. A empresa não prevê, neste momento, novos projetos para ampliar a capacidade instalada de produção de celulose.
Como a estratégia impacta os fornecedores de madeira em Minas Gerais?
A busca por autossuficiência pode reduzir a dependência de terceiros, mas também exige que fornecedores locais se adaptem a padrões mais altos de produtividade e escala.