O STF no banco dos réus: o que mudou no julgamento
O Supremo Tribunal Federal senta-se no banco dos réus. Mais do que julgar o comportamento pessoal do ministro Alexandre de Moraes, hoje, e de André Mendonça, no dia 23, o Plenário do STF estará sendo submetido a um julgamento político. Existem indícios fortes de que ambos tenham cometido irregularidades e mereçam ser punidos por elas, mas a questão central não é essa.
O que mudou, então? O STF passou a ser alvo explícito de pressão política. Pelas pressões que assistimos hoje, fica evidente que tanto um quanto o outro, mas especialmente Moraes, são alvos políticos por sentenças que proferiram atingindo chamadas lideranças políticas. No horário de propaganda eleitoral, ouvimos promessas raivosas de candidatos garantindo que vão acabar com os superpoderes do STF, poderes que não eram notados antes, só depois que a Corte puniu conspiradores.
Em princípio, é bom lembrar: o Supremo não tem superpoderes. É apenas a instância máxima que precisa julgar, como as demais, de acordo com a lei. O que os resultados destes dois julgamentos vão influenciar nas eleições não é possível medir. Moraes é acusado de, com seus atos, beneficiar Lula, e Mendonça, de beneficiar os Bolsonaros. Os desfechos deixam claro que não podemos continuar convivendo com os problemas atuais.
Nós, eleitores, ficamos na obrigação de sermos mais seletivos em nossas escolhas. Vamos precisar de reformas para aperfeiçoar nossas instituições, e elas serão feitas pelo Poder Legislativo. Daí a necessidade de escolhermos bem em quem votamos. Escolher gente preparada, com passado limpo, não simplesmente valentões que prometem tudo fazer e demonstram que não conhecem nem os limites de sua atuação.
O convite é concreto: acompanhe os julgamentos, cobre de quem se candidata propostas claras e lembre que as mudanças que precisamos em todas as áreas, econômica, política, penal, saúde, educação, começam com o seu voto.