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Síndrome dos ovários policísticos: desequilíbrio afeta todo organismo

ResumoA síndrome dos ovários policísticos (SOP) atinge de 10% a 13% das mulheres em idade fértil. A SOP manifesta desequilíbrios hormonais que afetam o metabolismo, elevando riscos de diabetes, obesidade e alterações cardiovasculares. Sintomas como ciclos irregulares, acne e ganho de peso exigem avaliação médica precoce. O diagnóstico precoce da SOP permite tratamento multidisciplinar para controle dos impactos sistêmicos e emocionais.

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) afeta de 10% a 13% das mulheres em idade fértil e vai além do sistema reprodutivo, com impactos metabólicos e emocionais. Entenda os sinais e a importância do diagnóstico.

Sérgio Tadeu Mafra
Sérgio Tadeu Mafra Repórter de Economia Regional · 02 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Síndrome dos ovários policísticos: desequilíbrio afeta todo organismo

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) costuma ser associada apenas a alterações nos ovários, mas seus efeitos vão muito além do sistema reprodutivo. Considerada uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade fértil, a condição afeta cerca de 10% a 13% dessa população no mundo e pode permanecer sem diagnóstico por anos. Trata-se de uma doença crônica, com repercussões hormonais, metabólicas e emocionais.

Para a cientista Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, a SOP está relacionada, principalmente, ao aumento dos níveis de andrógenos, hormônios que também estão presentes no organismo feminino, mas que podem aparecer em concentrações elevadas na síndrome, e a alterações na ovulação. "Na prática, os sinais podem variar bastante. Menstruações irregulares, períodos muito espaçados ou ausência de sangramento são manifestações frequentes. Também podem surgir acne persistente, pele oleosa, aumento de pelos no rosto e no corpo e queda ou afinamento dos cabelos", explica Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.

Em mulheres adultas, a avaliação costuma considerar a presença de ao menos dois de três elementos: sinais ou exames que indiquem excesso de andrógenos, irregularidade ou ausência de ovulação e aparência policística dos ovários, depois de excluídas outras causas. Por isso, a investigação deve ser individualizada e não pode se basear apenas em uma ultrassonografia.

Um dos aspectos que ajudam a explicar por que a SOP afeta todo o organismo é sua relação com a resistência à insulina. Nessa situação, as células respondem menos adequadamente ao hormônio responsável por facilitar a entrada da glicose nos tecidos. O organismo pode compensar produzindo mais insulina, o que está associado a maior risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2. "A resistência à insulina pode ocorrer mesmo quando a pessoa não apresenta excesso de peso. Por outro lado, o ganho de peso, especialmente na região abdominal, pode aumentar o risco de complicações metabólicas. Mulheres com SOP também apresentam maior probabilidade de alterações de colesterol, pressão alta, doença cardiovascular e apneia do sono", reforça Gindri.

A irregularidade menstrual é uma das manifestações mais visíveis. Como a ovulação pode ser infrequente ou não ocorrer em determinados ciclos, a menstruação pode ficar imprevisível, com intervalos longos ou sangramento intenso. Essa ovulação irregular também ajuda a explicar a relação entre SOP e infertilidade, já que a síndrome é uma das principais causas de infertilidade por falta de ovulação. Isso, porém, não significa que a mulher não possa engravidar: com acompanhamento médico e tratamento adequado, é possível melhorar a ovulação e as chances de gestação.

Não existe uma única receita para controlar a SOP. A estratégia depende dos sintomas, do risco metabólico, da idade e, principalmente, de haver ou não desejo de engravidar. "Alimentação equilibrada, atividade física regular e outros hábitos de vida saudáveis fazem parte do cuidado de todas as pacientes, independentemente de haver perda de peso", diz Gindri.

Mais do que controlar a menstruação irregular ou melhorar a aparência da pele, o acompanhamento busca proteger a saúde no longo prazo. A ausência prolongada de ovulação pode aumentar o risco de alterações no endométrio, enquanto as repercussões metabólicas exigem atenção contínua.

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