Setor de árvores cultivadas teme protecionismo dos EUA; entenda
O setor de árvores cultivadas no Brasil teme os efeitos do protecionismo dos EUA. Produtores do interior de Minas já sentem a pressão nas exportações de celulose. A guerra comercial pode redefinir rotas e preços.
Setor de árvores cultivadas teme protecionismo dos EUA; entenda
O setor de árvores cultivadas no Brasil teme os efeitos do protecionismo dos EUA sobre a celulose e o papel. Produtores do interior de Minas Gerais, maior estado produtor do país, já sentem a pressão nas exportações. A guerra comercial pode redefinir rotas e preços.
Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o Brasil exportou US$ 8,3 bilhões em celulose em 2025, sendo 15% para os EUA. Com tarifas de 25% anunciadas por Washington, o setor teme perda de competitividade. "Se fechar a porta dos EUA, a gente perde uma fatia grande do negócio", diz João Batista, produtor de eucalipto em Montes Claros (MG).
O que está em jogo
As tarifas dos EUA miram a celulose brasileira, que responde por 30% da produção global. O Brasil é o segundo maior exportador mundial, atrás apenas do Canadá. Para o interior de Minas, onde 70% da celulose nacional é produzida, o impacto é direto. "A gente plantou pensando no mercado americano. Agora tem que correr atrás de China e Europa", afirma o produtor.
Como o protecionismo afeta o produtor rural
O produtor rural de árvores cultivadas vive da previsibilidade. Com tarifas, o preço da celulose caiu 8% no mercado internacional desde o anúncio. Em cidades como Três Marias e São Francisco, a renda familiar depende da venda de madeira para as fábricas. A seca prolongada já apertou o bolso; agora, o protecionismo dos EUA ameaça o que restou.
O que dizem os dados oficiais
O Banco Central, em seu Relatório de Inflação de março de 2026, aponta que as exportações de celulose devem cair 12% em 2026 se as tarifas forem mantidas. Já o IBGE registrou que o setor de árvores cultivadas emprega 1,2 milhão de pessoas no Brasil, com 200 mil só em Minas Gerais.
Estratégias de saída
Produtores e associações buscam alternativas. A Ibá negocia acordos com a União Europeia e a China, que juntos compram 60% da celulose brasileira. "Não vamos ficar parados. O mundo é maior que os EUA", diz o presidente da Ibá. Em paralelo, o governo brasileiro estuda medidas de retaliação, mas o produtor rural quer é vender.
Perguntas Frequentes
O que é protecionismo dos EUA?
É a imposição de tarifas e barreiras para proteger a indústria local. No caso, os EUA taxam a celulose brasileira em 25%.
Como isso afeta o produtor de Minas?
O preço da celulose cai, reduzindo a renda de quem vende madeira para as fábricas. A seca já prejudicou; agora, o mercado externo fecha.
O Brasil pode retaliar?
Sim, o governo pode taxar produtos americanos, mas o setor prefere negociar novos mercados.
Quanto o Brasil exporta de celulose?
US$ 8,3 bilhões em 2025, segundo a Ibá. Os EUA são o terceiro maior comprador.
O que o produtor pode fazer?
Diversificar mercados, investir em certificação e buscar contratos de longo prazo com China e Europa.