# Selic a 13,75%: como o corte de juros afeta a renda fixa

> A Selic a 13,75% ao ano, definida pelo Banco Central em 16/9, mantém a renda fixa atrativa, mas altera a dinâmica entre pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação. Com juros ainda elevados, investidores tendem a rever estratégias, priorizando títulos que travam taxas antes de novos cortes.

*Portal Notícias MG · Serviços · 17 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

A Selic caiu para 13,75% ao ano após decisão do Banco Central na quarta-feira (16/9). Especialistas apontam que a renda fixa segue atrativa, mas a relação entre pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação começa a mudar.

A Selic caiu para 13,75% ao ano após decisão do Banco Central na quarta-feira (16/9). Mesmo com o corte, as taxas de juros continuam em nível elevado, o que mantém a renda fixa atrativa para quem busca rentabilidade com menor risco, segundo especialistas ouvidos pelo portal O TEMPO.

Com a Selic a 13,75% ao ano, a renda fixa segue atrativa. Pós-fixados mantêm retorno elevado e menor volatilidade, enquanto prefixados e títulos atrelados à inflação ganham espaço para quem pode manter o dinheiro investido por mais tempo.

A redução da taxa básica começa a mudar a relação entre as modalidades. Para José Tolipan, sócio e gerente de portfólio do BTG Pactual, o corte não altera muito o cenário dos pós-fixados. A rentabilidade diminui, mas 13,75% ainda representa retorno elevado, inclusive quando considerado o juro real.

O mercado discute se haverá novos cortes ou uma pausa no ciclo. O Boletim Focus mais recente aponta Selic em 13,75% no fim deste ano, o que indica que o corte desta quarta pode ter sido o último de 2026, embora haja incerteza sobre a reunião de novembro.

Nesse cenário, Tolipan vê oportunidade para investidores com horizonte mais longo trocarem parte da rentabilidade dos pós-fixados por taxas oferecidas hoje em prefixados e títulos atrelados à inflação. "Por mais que o pós-fixado seja muito atraente, hoje você tem oportunidade de abrir mão desse retorno para garantir retornos interessantes por prazos mais longos", afirma.

O prazo importa porque prefixados e títulos atrelados à inflação estão sujeitos à marcação a mercado. Se o investidor vender o papel antes do vencimento, o preço pode oscilar conforme as condições do mercado e o retorno pode ser diferente do previsto na aplicação.

Para conservadores, o BTG considera adequada concentração maior em pós-fixados. Quem tem maior tolerância a risco pode reduzir essa parcela e buscar prefixados e títulos de juro real. Entre os prazos mais longos, o banco diz preferir papéis atrelados à inflação, por gerenciamento de risco.

Mauro Orefice, gestor da B Side Investimentos, tem avaliação semelhante, mas vê os prefixados como principal oportunidade, seguidos pelos títulos atrelados ao IPCA. Segundo ele, esses papéis seguem atrativos porque há descolamento entre as taxas precificadas pelo mercado e as projeções dos economistas. A indefinição fiscal mantém as taxas prefixadas elevadas; se a questão for equacionada nos próximos meses, esses títulos terão maior potencial de valorização.

Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos do Itaú, mantém visão favorável aos pós-fixados. "Como, de alguma forma, esse movimento de corte já estava precificado nas curvas de juros, o impacto dessa decisão não será muito grande. Numa ordem de relevância para o investidor, o pós-fixado continua sendo a melhor opção, seguido do prefixado e depois dos títulos indexados à inflação", afirma. O banco sugere, para um investidor moderado, 45% em pós-fixados, 26% em renda fixa ativa, 10% em investimentos internacionais, 8% em multimercados, 7% em ações e 4% em alternativos.

Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank, diz que a volatilidade no exterior, influenciada pelo petróleo, e no mercado doméstico, em meio às eleições, favorece os pós-fixados. "Nesse momento em que o mercado pode ter grandes pernadas por um lado ou por outro, a gente prefere ficar na parte pós-fixada da renda fixa, porque ela tem menos volatilidade e a gente ainda tem uma taxa de juros bastante alta", afirma. Uma queda mais forte dos juros poderia fazer o investidor perder oportunidades em outras modalidades, mas, diante das incertezas atuais, o banco prefere priorizar a cautela.

Para acompanhar como diferentes cenários de juros mudam o retorno, o portal O TEMPO disponibiliza um simulador de investimentos simulador de investimentos.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/selic-1375-como-corte-juros-afeta-renda-fixa-confira/
