Testes de integridade e auditorias da urna eletrônica: saiba como funcionam
A transparência do processo eleitoral brasileiro é garantida por uma série de mecanismos de fiscalização. Antes, durante e depois da votação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza auditorias que permitem a especialistas, partidos políticos, instituições e eleitores verificar o funcionamento das urnas.
Os testes de integridade e auditorias da urna eletrônica são procedimentos que comprovam que o equipamento registra corretamente os votos. Na véspera do primeiro e do segundo turno, urnas que já estavam preparadas para a eleição são sorteadas pela Justiça Eleitoral em audiência pública. Levadas aos Tribunais Regionais Eleitorais, elas recebem votos no dia da votação, em cerimônia pública, exatamente como numa seção real. Em paralelo, cada voto digitado é registrado numa cédula de papel, com todo o processo filmado. Ao final, as cédulas são contadas e o resultado é comparado com o da urna. A correspondência confirma que o equipamento registrou tudo certo.
Antes da votação, outro mecanismo importante é o Teste Público da Urna, realizado desde 2009. Na primeira fase, no ano anterior às eleições, especialistas externos tentam identificar vulnerabilidades ou pontos de melhoria. As sugestões são analisadas pela Justiça Eleitoral e, quando pertinentes, geram mudanças nos sistemas. No ano da eleição, o Teste de Confirmação permite verificar se as correções foram implementadas.
Glaysson Gomes Rocha, titular da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), explica: "A gente tem processos e partes dos sistemas que derivaram dos Testes Públicos da Urna. Um deles foi o RDV, o Registro Digital de Voto, em que a gente alterou o procedimento em função dos testes realizados". Para ele, esses processos abrem para um público especializado avaliar o que a Justiça Eleitoral desenvolve, além de disseminar a informação.
Depois da votação, a fiscalização continua com o Boletim de Urna. Cada urna imprime um documento com a quantidade de votos de cada candidato e partido naquela seção. Uma via é fixada no local de votação, permitindo que partidos, instituições e eleitores comparem os boletins com os resultados do site do TSE. A conferência verifica se os votos registrados correspondem à totalização feita pela Justiça Eleitoral.
Rocha ressalta: "O nosso sistema foi feito para atender problemas nossos, do Brasil. Essas fases de auditoria são para trazer realmente quem tem interesse, permitir que os partidos políticos e as entidades de fiscalização possam conhecer e ver o nosso processo".
O interior também é Minas: quem vive no campo e acompanha a votação na zona rural depende dessas auditorias para confiar no resultado. A seca não é notícia só quando vira tragédia, e a urna também não é confiável só quando passa no teste. como funciona a totalização de votos no TSE