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Safra maior de cana amplia etanol e pressiona preços

ResumoA safra 2026/27 de cana-de-açúcar em Minas Gerais projeta crescimento de 7%, elevando a oferta de etanol no mercado. O aumento da produção pressiona os preços na bomba, mas a cadeia produtiva enfrenta custos elevados e margens apertadas para o produtor. A expansão da colheita não garante redução automática ao consumidor final.

A safra 2026/27 de cana deve crescer 7% em Minas, ampliando a oferta de etanol. O preço na bomba, porém, reflete uma cadeia complexa, com custos elevados e margens apertadas para o produtor.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 31 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Safra maior de cana amplia etanol e pressiona preços

A safra maior de cana amplia a oferta de etanol e pressiona os preços, mas o valor pago na bomba não é o mesmo recebido pelo produtor. Em Belo Horizonte, o combustível foi encontrado recentemente por cerca de R$ 2,99 em alguns postos, reflexo da recuperação da produção de cana-de-açúcar e do avanço do etanol de milho.

A safra maior de cana amplia a oferta de etanol e pressiona os preços, mas o valor pago na bomba não é o mesmo recebido pelo produtor. Em Belo Horizonte, o combustível foi encontrado recentemente por cerca de R$ 2,99 em alguns postos, reflexo da recuperação da produção de cana-de-açúcar e do avanço do etanol de milho.

Em Minas Gerais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 82,5 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, alta de 7,0% ante a temporada anterior. O resultado combina aumento da área cultivada e recuperação da produtividade dos canaviais.

O que está por trás do preço do etanol

O produtor Humberto de Campos Maciel, de Pompéu, integrante da Comissão Técnica de Cana-de-Açúcar da Faemg, explica que cada canavial tem características próprias. "Depende da localização, do clima, do solo, da insolação e do regime de chuvas. Não existe uma fórmula única para obter alta produtividade."

Nesta safra, as chuvas foram intensas e bem distribuídas, favorecendo o desenvolvimento dos canaviais. A expectativa é de safra nacional entre 5% e 7,5% maior, alcançando entre 640 milhões e 650 milhões de toneladas.

Apesar do cenário positivo, os custos de produção seguem elevados. A remuneração da cana é influenciada pelo preço do açúcar no mercado internacional: a queda das cotações na Bolsa de Nova York pressionou o valor do ATR, enquanto fertilizantes e outros insumos ficaram mais caros.

Tecnologia como aliada do produtor

Para compensar as margens apertadas, a tecnologia ganha espaço. Variedades mais produtivas, manejo do solo, aplicação precisa de fertilizantes, irrigação e sistemas orientados por satélite estão entre as estratégias. Em algumas regiões, a combinação dessas práticas já permite dobrar a produtividade, de 80 para 160 toneladas por hectare.

A analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, destaca que cada canavial exige estratégia própria. "A análise do solo, a escolha das variedades, o manejo nutricional e o acompanhamento de pragas e doenças precisam estar alinhados às condições da propriedade."

Mercado reage na última semana

Segundo levantamento da consultoria Datagro, o preço do etanol hidratado ao produtor em São Paulo subiu 8,2%, para R$ 2,1955 por litro. O etanol anidro avançou 6,6%, para R$ 2,5078.

Para Nathália, o preço do etanol está relacionado à variação entre oferta e demanda. "Por trás desse combustível, existe uma cadeia produtiva complexa e um trabalho técnico realizado diariamente pelo produtor de cana."

A recuperação da produção de cana ocorre em momento de maior oferta do combustível, também favorecida pelo crescimento do etanol de milho. Entre a propriedade rural e o consumidor, estão indústria, transporte, distribuição, tributos e outros agentes da cadeia.

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