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Restaurante é condenado após manter grávida de risco trabalhando em pé

A Justiça do Trabalho reconheceu o direito de uma auxiliar de cozinha de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, à rescisão indireta do contrato após o restaurante mantê-la trabalhando em pé durante uma gravidez de risco. A trabalhadora havia apresentado relatório médico com recomendações de restrição das atividades, mas a empresa não adaptou suas funções.

A sentença, proferida pela juíza Aline Queiroga Fortes Ribeiro, titular da 2ª Vara do Trabalho de Divinópolis, foi mantida pela Décima Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). O processo transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso.

A decisão garantiu à empregada o pagamento das verbas decorrentes do encerramento do contrato, aviso-prévio indenizado, multa do artigo 477 da CLT e indenização referente ao período de estabilidade gestacional. O valor deve cobrir salários e direitos desde o fim do contrato até cinco meses após o parto.

A empresa alegou que não havia motivos para a rescisão indireta, argumentando que a função de auxiliar de cozinha exige movimentação constante e permanência em pé. A defesa afirmou ainda que, por ser de pequeno porte, o restaurante não teria condições de criar nova função ou adaptar completamente as atividades sem comprometer o funcionamento.

Para a juíza, a empresa desconsiderou as recomendações médicas. Ela destacou que a Norma Regulamentadora 17 (NR-17), que trata de ergonomia, prevê medidas de proteção para atividades realizadas em pé, condição agravada pela gravidez de risco.

Os desembargadores da Décima Turma entenderam que a empregadora colocou em risco a saúde e a segurança da trabalhadora ao manter a rotina mesmo após receber as recomendações. Segundo o acórdão, a continuidade poderia comprometer a gestação, tornando inviável a relação de emprego e justificando a rescisão indireta.

O processo está agora na fase de execução, quando os valores são cobrados do empregador.

Geraldo Assunção
Repórter de Política Estadual
Repórter de BH, cobre política mineira da Assembleia ao interior com fontes antigas e ceticismo de veterano.
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