# Tarifa de 25%: reação de setores brasileiros à decisão dos EUA

> A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos provocou reações imediatas dos setores siderúrgico, agropecuário e industrial. Representantes desses segmentos cobram uma resposta diplomática do governo brasileiro e avaliam os impactos negativos nas exportações. O Ministério da Economia sinalizou abertura para negociações com o governo norte-americano.

*Portal Notícias MG · Serviços · 17 de julho de 2026 · Daniele Xavier*

A nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelo governo dos Estados Unidos gerou reações imediatas de setores como siderurgia, agronegócio e indústria. Representantes cobram resposta diplomática e avaliam impactos nas exportações. O Ministério da Economia já sinali

O telefone não parou de tocar na sede da Associação Brasileira de Siderurgia (Aços Brasil) desde o anúncio da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Para o setor, que responde por 12% das exportações do país para os Estados Unidos, a medida representa um golpe direto na competitividade. "Fomos pegos de surpresa. Isso afeta contratos fechados e investimentos em andamento", afirma o presidente da entidade, Marco Polo de Mello Lopes.

**O que muda com a nova tarifa de 25%**

A tarifa de 25% incide sobre uma cesta de produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio, carne bovina, suco de laranja e etanol. A medida, anunciada pelo governo americano no dia 10 de junho, tem como justificativa proteger a indústria local contra o que chamam de "práticas desleais de comércio". A decisão afeta diretamente cerca de 15% das exportações brasileiras para os EUA, que somaram US$ 32 bilhões em 2025 (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

**Reação da indústria e do agronegócio**

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como "injustificada e prejudicial" e acionou o governo federal para uma resposta coordenada. "Vamos buscar a abertura de um canal de negociação direto com o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA). A escalada tarifária não interessa a ninguém", disse o diretor de Relações Internacionais da CNI, Diego Bonomo.

No agronegócio, o impacto é sentido na carne bovina e no suco de laranja. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que as exportações para os EUA representam 8% do total do setor. "Vamos redirecionar parte da produção para outros mercados, como China e Oriente Médio, mas a perda de receita é imediata", explicou o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli.

O setor sucroalcooleiro também reagiu. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) afirmou que o etanol brasileiro, que responde por 20% do mercado americano de biocombustíveis, será o mais afetado. "A tarifa inviabiliza a competitividade do nosso etanol frente ao milho americano", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

**Resposta do governo brasileiro**

O Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Comércio Exterior, informou que já acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar medidas de retaliação e negociação. "A decisão americana é unilateral e fere as regras da OMC. Vamos buscar uma solução negociada, mas não descartamos acionar a Organização Mundial do Comércio", afirmou o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz.

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) recomendou cautela. "Uma guerra tarifária não beneficia ninguém. O caminho é a negociação, com base em dados concretos e respeito mútuo", disse o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

**Impactos na economia local**

Para as cidades que dependem da exportação, como Contagem (MG), que abriga montadoras e siderúrgicas, a medida acendeu um alerta. "Aqui, 30% dos empregos na indústria estão ligados direta ou indiretamente às exportações para os EUA. Se não houver negociação, vamos sentir no bolso", afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Contagem, João Paulo Ribeiro.

O setor de logística também se prepara. A Associação Nacional dos Transportadores de Carga (ANTC) estima que o volume de cargas para o porto de Santos pode cair 10% nos próximos meses. "Vamos ter de reorganizar rotas e buscar novos mercados", disse o presidente da ANTC, Paulo Sérgio de Oliveira.

**Canais de negociação e próximos passos**

O governo brasileiro já agendou reunião com o USTR para a primeira semana de julho. Enquanto isso, as associações setoriais orientam os exportadores a revisar contratos e buscar diversificação de mercados. A AEB disponibilizou um canal de apoio para empresas afetadas: o telefone (61) 3326-1234, de segunda a sexta, das 9h às 18h.

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**Perguntas Frequentes**

### Quais setores brasileiros são mais afetados pela tarifa de 25%?

Os setores mais impactados são siderurgia, agronegócio (carne bovina, suco de laranja) e sucroalcooleiro (etanol). Juntos, eles respondem por cerca de 15% das exportações brasileiras para os EUA.

### O governo brasileiro vai retaliar?

O Ministério da Economia avalia medidas de retaliação, mas prioriza a negociação. A Camex foi acionada para estudar as opções, que podem incluir tarifas sobre produtos americanos.

### Qual o prazo para a tarifa começar a valer?

A tarifa de 25% entrou em vigor no dia 10 de junho de 2026. As exportações já realizadas antes dessa data não foram afetadas.

### Como as empresas podem se preparar?

As associações setoriais recomendam revisar contratos, buscar novos mercados (China, Oriente Médio) e acionar os canais de apoio do governo, como a AEB e a Camex.

### A tarifa fere as regras da OMC?

Segundo o Ministério da Economia, a medida americana é unilateral e pode ferir as regras da OMC. O Brasil avalia acionar a organização, mas a prioridade é a negociação direta.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/representantes-setores-atingidos-pela-nova-tarifa-25-reagem-decisao-americana/
