Reino Unido quer tirar frituras da merenda escolar
O Ministério da Educação do Reino Unido publicou novas regras para a alimentação escolar e propõe deixar de servir alimentos fritos às crianças. Pesquisador explica por que a medida é acertada e quais riscos as frituras trazem.
O Ministério da Educação do Reino Unido publicou nesta semana novas regras para a alimentação escolar. Entre as medidas está a proposta de deixar de servir alimentos fritos às crianças. A avaliação de quem estuda nutrição é de que a iniciativa é acertada.
O problema, segundo o médico pesquisador Stefan Kabisch, especialista em nutrição da Charité de Berlim e do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes, está no tipo de gordura usada na fritura. Em teoria, seria possível usar um óleo vegetal mais saudável. Na prática, as temperaturas elevadas exigem gorduras vegetais refinadas, processadas para suportar o calor sem produzir fumaça nem alterar o sabor dos alimentos.
Por que as gorduras da fritura preocupam
Essas gorduras refinadas tendem a conter mais ácidos graxos saturados. "As gorduras saturadas são um problema porque estimulam processos inflamatórios no organismo, favorecem a resistência à insulina e, dessa forma, contribuem tanto para a obesidade quanto para o diabetes tipo 2", afirma Kabisch.
Batatas fritas, carnes empanadas e donuts passam por uma fritadeira cheia de gordura aquecida a altas temperaturas. O resultado agrada ao paladar, mas carrega esse risco metabólico que o pesquisador descreve.
O que muda no cardápio e o que ainda não se sabe
A proposta publicada pelo Ministério da Educação do Reino Unido integra um conjunto de novas regras para a alimentação escolar. O texto não detalha, até aqui, prazos de implementação nem quais preparos substituiriam os fritos no dia a dia das escolas.
A discussão sobre merenda escolar interessa a quem acompanha políticas de alimentação infantil e também a famílias que tentam reproduzir escolhas mais saudáveis em casa. Entender o papel das gorduras saturadas ajuda a ler a medida britânica sem tratá-la como moda passageira.
Kabisch defende que a retirada das frituras é um acerto. O alerta dele recai sobre o tipo de gordura, não sobre o alimento em si: é a gordura refinada exigida pelo calor alto que concentra o problema.
A expectativa de quem acompanha o debate é que a regra sirva de referência para outros países discutirem o cardápio escolar. alimentação escolar no Brasil