# Reciprocidade tarifária pode piorar situação do Brasil, diz Abiplast

> A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) alerta que a reciprocidade tarifária pode piorar a situação do Brasil. A medida, ao igualar tarifas de importação, tende a encarecer insumos e reduzir a competitividade industrial, especialmente no interior do país.

*Portal Notícias MG · Serviços · 17 de julho de 2026 · Inácio Bicalho*

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) alerta que a adoção de reciprocidade tarifária pode piorar a situação do Brasil. A medida, que visa igualar tarifas de importação, pode encarecer insumos e prejudicar a competitividade industrial, especialmente no interi

## Reciprocidade tarifária pode piorar situação do Brasil, diz Abiplast

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) soltou um alerta: a adoção de uma política de reciprocidade tarifária pode piorar a situação do Brasil, especialmente para o setor industrial. Em nota, a entidade afirma que a medida, que busca igualar as tarifas de importação dos parceiros comerciais, pode ter efeito contrário ao esperado.

A reciprocidade tarifária, que propõe igualar as tarifas de importação praticadas por outros países, pode piorar a situação do Brasil segundo a Abiplast. A medida arrisca elevar custos de insumos, reduzir a competitividade da indústria nacional e provocar demissões, especialmente em setores como o plástico, que depende de matérias-primas importadas.

## O alerta da Abiplast

A Abiplast representa um setor que, em 2023, produziu 6,7 milhões de toneladas de resinas termoplásticas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O presidente da Abiplast, José Ricardo Roriz, disse que "a reciprocidade tarifária, da forma como está sendo discutida, pode ser um tiro no pé para a indústria brasileira".

A preocupação central é que, ao elevar tarifas de importação para igualar as de países como Estados Unidos e China, o Brasil pode encarecer insumos essenciais que não são produzidos internamente. "Setenta por cento das resinas usadas na transformação de plásticos no Brasil são importadas", afirma Roriz. "Se a tarifa sobe, o custo do produto final sobe, e a gente perde mercado para o importado."

## Impacto no interior de Minas Gerais

Em Minas Gerais, o setor de plásticos é forte no Triângulo Mineiro e no Sul de Minas. Em Uberlândia, a Indústria de Plásticos Oliveira, que emprega 120 pessoas, já sente o aperto. O proprietário, Carlos Oliveira, me contou: "A gente compra resina da China e dos EUA. Se a tarifa subir, a conta não fecha. Vou ter que demitir".

A situação é semelhante em Varginha, onde a Plásticos Varginha Ltda. produz embalagens para o agronegócio. O gerente, Antônio Silva, disse: "O agro é forte aqui, mas sem resina a preço justo, a gente não consegue competir com os chineses".

## O que é reciprocidade tarifária?

A reciprocidade tarifária é um princípio de comércio exterior onde um país eleva suas tarifas de importação para o mesmo nível que seus parceiros comerciais impõem sobre seus produtos. A ideia é criar "condições iguais" de competição. No entanto, para economistas, a medida pode ser prejudicial para países com baixa capacidade de produção de insumos.

Dados do Banco Mundial mostram que as tarifas médias do Brasil são de 11,2%, enquanto as dos EUA são de 3,4%. Se o Brasil elevar suas tarifas para igualar as dos EUA, na prática, estaria aumentando ainda mais a proteção, mas sem garantia de que os EUA reduziriam as deles.

## Riscos para a indústria nacional

A Abiplast lista três riscos principais:

- Aumento do custo de insumos: resinas, aditivos e máquinas importadas ficariam mais caras.
- Perda de competitividade: o produto brasileiro fica mais caro que o importado, mesmo com tarifa.
- Demissões e fechamento de fábricas: o setor de plásticos emprega 350 mil pessoas no Brasil.

"A política de reciprocidade pode ser usada como ferramenta de negociação, mas não pode ser aplicada de forma automática", alerta o economista da FGV, Marcos Mendes. "O Brasil precisa de uma política industrial inteligente, não de um aumento generalizado de tarifas."

## Alternativas propostas

A Abiplast sugere que o Brasil foque em negociações bilaterais, em vez de adotar uma política de reciprocidade ampla. A entidade defende:

- Acordos de livre comércio com países que têm tarifas baixas.
- Redução de custos internos, como energia e logística.
- Investimento em inovação para aumentar a competitividade.

Para o produtor rural de Minas, a mensagem é clara: a reciprocidade tarifária pode encarecer embalagens, fertilizantes e defensivos, impactando diretamente o custo da safra. "A gente já paga caro pelo frete e pelo diesel. Se a tarifa subir, o custo da lavoura vai lá em cima", diz o agricultor João Batista, de Patos de Minas.

## Perguntas Frequentes

### O que é reciprocidade tarifária?

É uma política onde um país iguala suas tarifas de importação às de seus parceiros comerciais, para criar condições iguais de competição.

### Por que a Abiplast é contra?

Porque a medida pode encarecer insumos importados essenciais para a indústria do plástico, reduzindo a competitividade e causando demissões.

### Como a reciprocidade afeta o interior de Minas?

O setor de plásticos no interior mineiro depende de resinas importadas. O aumento de tarifas pode elevar custos e forçar demissões em fábricas locais.

### Quais as alternativas à reciprocidade tarifária?

Negociações bilaterais, redução de custos internos e investimento em inovação são as principais alternativas propostas pela Abiplast.

### A medida pode afetar o agronegócio?

Sim, pois encarece embalagens, fertilizantes e defensivos, aumentando o custo da produção rural.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/reciprocidade-tarifaria-pode-piorar-situacao-brasil-diz-abiplast/
