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Tornados no Brasil: 524 registros e Sul concentra 43%

ResumoO projeto Prevots registrou 524 tornados no Brasil entre julho de 2018 e agosto de 2026. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram 43% das ocorrências, e a Região Sul apresenta os episódios de maior potencial destrutivo no país.

Dados inéditos do projeto Prevots revelam 524 registros de tornados no Brasil entre julho de 2018 e agosto de 2026. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina somam 43% das ocorrências, e o Sul concentra os episódios de maior potencial destrutivo.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 14 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Tornados no Brasil: 524 registros e Sul concentra 43%

O Brasil esteve sob alerta de tornado nesta semana. No Paraná, dois episódios da categoria mais intensa ocorreram em menos de 24 horas, deixando rastro de estragos em cidades do estado. Dados obtidos com exclusividade pelo g1 mostram que, nos últimos nove anos, o país teve 524 registros de tornados, a maior parte no Sul.

O Brasil não mantém um banco de dados oficial dedicado a rastrear essas ocorrências. Os números usados na apuração são do Prevots, projeto mantido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), que monitoram tempestades e tornados no país.

Segundo o levantamento, que reúne registros de julho de 2018 a agosto de 2026, 43% de todos os tornados no Brasil aconteceram em Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em 2026, o país registrou 86 tornados até agosto, o equivalente a 58% do total de 148 ocorrências de todo o ano de 2025.

Dos 524 tornados contabilizados desde junho de 2018, 227 ocorreram em apenas três estados: Rio Grande do Sul (93), Paraná (81) e Santa Catarina (53). São Paulo aparece logo atrás do Rio Grande do Sul no ranking nacional, com 90 registros, apenas três a menos que o estado gaúcho.

A concentração no Sul tem explicação meteorológica. Ernani Nascimento, doutor em Meteorologia pela Universidade de Oklahoma e pesquisador do INPE, onde estuda tornados e tempestades severas, descreve o mecanismo: os rios voadores, jatos de vento que carregam calor e umidade da Amazônia até o Sul, encontram o ar frio e seco vindo da Argentina. O contraste acelera o vento conforme a altitude aumenta, fenômeno chamado de cisalhamento.

"Se você imaginar esse jato como um rio, é como se esse rio, que está trazendo ar quente e úmido, desembocasse no Sul do Brasil. E, ao fazer isso, é como se começasse a empoçar a umidade naquela região do mapa", explica Ernani.

Enquanto no Brasil a maioria dos fenômenos registrados é do tipo menos intenso, no Sul essa lógica se inverte: 51% dos casos identificados na região é do tipo gerado por supercélula, a categoria de maior potencial destrutivo. No ano passado, Rio Bonito do Iguaçu (PR) foi atingida por um tornado devastador de categoria F4, uma das mais altas na escala. A cidade foi devastada e seis pessoas morreram.

No ranking de cidades mais atingidas desde 2018, Sarandi (RS), Guaíba (RS) e Dourados (MS) lideram com nove ocorrências cada uma. Na sequência aparecem Horizontina (RS) e Xanxerê (SC), com oito registros cada, além de Ananindeua (PA), também com oito.

A identificação dos tornados combina relatos em redes sociais e notícias de possíveis ocorrências, com local e horário aproximados, e checagem por imagens de satélite ambiental. Essas imagens revelam o rastro de dano deixado na vegetação, como uma cicatriz vista do espaço, o que confirma a extensão do fenômeno e, em alguns casos, sua intensidade.

Nem todo tornado tem a mesma força. As trombas d'água e terrestres, de baixa intensidade, somam 58% do total de ocorrências no país, com 304 casos. As supercélulas, de maior potencial destrutivo, correspondem a 27%, com 142 casos. Já as linhas de instabilidade, de intensidade média, representam 78 registros.

Apontar uma região com chance de tempestades capazes de gerar tornado é possível com até 24 horas de antecedência. Determinar o local exato e o horário, não. Quanto menor e mais rápido é um fenômeno atmosférico, menor é a janela de previsão. O tornado tem menos de um quilômetro de diâmetro e raramente dura mais de meia hora.

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