# Queda de fundos imobiliários acende alerta no mercado

> O IFIX acumulou queda de 4,32% em agosto, com fundos imobiliários registrando perdas de até 42%. A desvalorização decorre de juros elevados, vacância e revisão de dividendos. Investidores devem analisar liquidez, qualidade dos ativos e histórico de gestão antes de alocar capital em FIIs. O cenário exige cautela e diversificação.

*Portal Notícias MG · Serviços · 27 de agosto de 2026 · Marília Stefani*

O IFIX acumulou queda de 4,32% em agosto, com perdas de até 42% em alguns fundos. Especialistas explicam os motivos e o que observar antes de investir em FIIs.

Os fundos imobiliários (FIIs) passaram por um período de forte volatilidade em agosto, e o movimento acendeu alerta entre investidores. O IFIX, principal índice que acompanha esses ativos na bolsa brasileira, acumulou queda de 4,32% na comparação com os 30 dias anteriores ao dia 20/08. Entre os fundos que mais recuaram no período, as perdas chegaram a mais de 40%.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, o movimento reflete uma combinação de fatores, como a alta dos juros e o cenário macroeconômico, além de problemas específicos enfrentados por alguns fundos.

Entre os destaques negativos, o fundo Mérito acumulou queda de 42,14%, em meio à redução dos rendimentos e à preocupação dos investidores sobre a capacidade de manter as distribuições prometidas. O Tellus recuou 19,43%, também em um cenário de redução dos dividendos. Já o HSI Log caiu 19,26%, com exposição relevante à Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial, aumentando a percepção de risco. O BB Prem Mall caiu 17,62%, por preocupações com o elevado nível de alavancagem. O TRX recuou 16,97% após uma emissão bilionária de novas cotas.

Segundo Marilia, novas emissões em um momento de queda dos preços também contribuíram para a cautela. "Vários outros FIIs fizeram emissões de novas cotas em um momento delicado do mercado, aproveitando os preços mais baixos para comprar novos prédios e galpões. Isso também acaba aumentando a preocupação do investidor", explica.

Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, lembra que até produtos de renda fixa podem sofrer oscilações quando vendidos antes do vencimento. "A volatilidade faz parte da natureza dos investimentos e não está somente na renda variável", destaca.

Para os especialistas, a queda não significa que todos os fundos estejam em situação ruim. Thiago Godoy, educador financeiro, reforça que o investidor deve analisar o imóvel, a vacância, a qualidade e a localização. Ele alerta que um dividendo alto não significa, necessariamente, que o fundo é bom.

Marilia pondera a diferença entre FIIs e CRIs/CRAs: em um fundo de imóveis, é possível substituir inquilino; em um CRI de empresa em recuperação judicial, há risco de não pagamento ou corte na dívida.

O Resenha do Dinheiro, com apoio da B3 e BlackRock, vai ao ar às sextas, 19h, no YouTube da CNN Money, e aos domingos, 15h, na CNN Brasil.

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