Queda das exportações devem impactar margens dos frigoríficos, aponta Abiec
A queda das exportações brasileiras de carne bovina deve pressionar as margens dos frigoríficos nos próximos meses, aponta a Abiec. Dados do MDIC indicam recuo no volume embarcado em 2025, o que já afeta a rentabilidade de players como JBS, Marfrig e Minerva.
Queda das exportações devem impactar margens dos frigoríficos, aponta Abiec
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alertou que a redução nas exportações de carne bovina deve pressionar as margens dos frigoríficos nos próximos meses. Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o volume embarcado caiu 8,2% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024. Essa retração já começa a afetar a rentabilidade das principais empresas do setor.
A Abiec projeta que a queda das exportações deve impactar margens dos frigoríficos de forma mais acentuada no segundo semestre. Segundo a entidade, a combinação de menor demanda chinesa e valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade da carne brasileira no mercado externo. Para o produtor, o cenário significa menos receita e necessidade de ajustes operacionais.
Impacto da queda das exportações nas margens dos frigoríficos
As margens dos frigoríficos são diretamente influenciadas pelo volume exportado. Com a retração, empresas como JBS, Marfrig e Minerva precisam reequilibrar suas operações. Dados do Banco Central indicam que a taxa de câmbio média em 2025 ficou em R$ 5,20, valorização de 6% ante 2024. Isso reduz a receita em reais por tonelada exportada.
Como a valorização do real afeta os frigoríficos
O real mais forte encarece o produto brasileiro no exterior. Em junho de 2025, o preço médio da tonelada de carne bovina exportada caiu para US$ 4.200, contra US$ 4.500 no mesmo mês de 2024 (MDIC, Comex Stat, jun/2025). Para cada dólar a menos na cotação, os frigoríficos perdem margem.
Exportações de carne bovina: os números da retração
Os dados do MDIC mostram que o Brasil embarcou 1,2 milhão de toneladas de carne bovina in natura no primeiro semestre de 2025, volume 8,2% inferior ao mesmo período de 2024. A China, principal comprador, reduziu suas importações em 15%, passando de 450 mil para 382 mil toneladas.
China: o motor que desacelerou
A desaceleração econômica chinesa e o aumento da produção local de carne suína reduziram a demanda por carne bovina brasileira. A Abiec estima que as exportações para a China devem cair 12% em 2025 na comparação anual. Para os frigoríficos, esse é o maior fator de pressão.
O que diz a Abiec sobre a queda das exportações
A Abiec afirma que a queda das exportações deve impactar margens dos frigoríficos de forma heterogênea. Empresas com maior exposição ao mercado chinês, como JBS e Marfrig, tendem a sentir mais o efeito. Já a Minerva, com presença mais diversificada em mercados como Egito e Chile, pode sofrer menos.
Medidas para mitigar o impacto
Entre as saídas apontadas pela Abiec estão a abertura de novos mercados, como Indonésia e Filipinas, e o fortalecimento das vendas internas. O mercado doméstico, impulsionado pelo consumo de carne no Brasil, pode absorver parte do volume excedente. Segundo o IBGE, o consumo per capita de carne bovina no Brasil deve crescer 2,3% em 2025.
Perspectivas para os frigoríficos no segundo semestre
Para o segundo semestre de 2025, a expectativa é de que a queda das exportações continue pressionando as margens. A Abiec projeta que o volume exportado no ano feche com retração de 6% a 8%. Com isso, os frigoríficos devem buscar eficiência operacional e redução de custos para manter a rentabilidade.
O papel do mercado interno
O mercado brasileiro, com 213 milhões de habitantes, é o segundo maior consumidor de carne bovina do mundo. A demanda interna pode compensar parcialmente a queda externa. A Abiec recomenda que os frigoríficos invistam em cortes de maior valor agregado para o varejo local mercado interno de carne bovina.
Perguntas Frequentes
Por que as exportações de carne bovina caíram?
A redução se deve à menor demanda da China, que enfrenta desaceleração econômica e aumento da produção local de carne suína. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tornou a carne brasileira menos competitiva.
Quais frigoríficos são mais afetados?
Empresas com maior exposição ao mercado chinês, como JBS e Marfrig, são as mais impactadas. A Minerva, com diversificação geográfica, pode sofrer menos.
A queda das exportações vai afetar o preço da carne no Brasil?
Sim. Com mais carne disponível no mercado interno, os preços podem cair para o consumidor, mas a rentabilidade dos frigoríficos será pressionada.
O que a Abiec recomenda para os frigoríficos?
A associação sugere a abertura de novos mercados (Indonésia, Filipinas) e o fortalecimento das vendas internas, com foco em cortes de maior valor agregado.
Quando as margens devem se recuperar?
A recuperação depende da retomada da demanda chinesa e da estabilização cambial. A Abiec projeta cenário mais favorável apenas em 2026.