# Olho seco da menopausa: tratamento errado ignora testosterona

> Síndrome do olho seco na menopausa frequentemente tem causa hormonal negligenciada. A ginecologista Fabiane Berta aponta que o tratamento convencional foca apenas no estrogênio, ignorando a testosterona, hormônio essencial para a estabilidade da lágrima. Sintomas como ardência, sensação de areia e visão embaçada ao anoitecer são erroneamente atribuídos ao cansaço ou ao uso de telas.

*Portal Notícias MG · Serviços · 23 de julho de 2026 · Marília Stefani*

Ardência, sensação de areia nos olhos e visão que embaça ao anoitecer costumam ser atribuídas ao cansaço ou às telas. Mas, segundo a ginecologista Fabiane Berta, a causa raramente investigada é hormonal. O tratamento convencional foca no estrogênio, mas a estabilidade da lágrima 

Ardência, sensação de areia nos olhos e visão que embaça ao anoitecer costumam ser atribuídas ao cansaço ou às telas. Mas, segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, a causa raramente investigada é hormonal. O olho seco da menopausa não é falta de água, mas instabilidade da lágrima, e o tratamento padrão, focado apenas em estrogênio, resolve apenas metade do problema.

Segundo Fabiane, o olho é um órgão-alvo hormonal, e quem sustenta a lágrima na superfície ocular é a testosterona, não o estrogênio, como o senso comum supõe. Uma em cada duas mulheres na transição menopausal tem algum grau de desconforto ocular, mas a queixa quase nunca aparece na consulta de climatério. A maioria pensa que olho seco é falta de água, e nem sempre é isso. A mulher pode produzir lágrima e, ainda assim, não conseguir mantê-la estável na superfície do olho, e é aí que o desconforto continua.

A lágrima tem três camadas: água, que hidrata; muco, que fixa essa água ao olho; e uma fina camada de óleo, que evita a evaporação. Quando o equilíbrio hormonal oscila na menopausa, o óleo muda de qualidade, o canal da glândula entope e a lágrima evapora mais rápido. É por isso que muitas mulheres lacrimejam justamente quando estão com olho seco: o olho tenta compensar produzindo mais água, que evapora de novo.

**Diagnóstico depende de dois exames**

O diagnóstico completo depende de dois exames: o teste de Schirmer, que mede a quantidade de lágrima, e o TBUT (tempo de ruptura do filme lacrimal), que mede quanto tempo essa lágrima resiste antes de se romper. É o segundo, menos pedido nos exames de rotina, que costuma revelar o problema real. O estrogênio, usado na terapia hormonal, melhora o volume de lágrima produzido, mas não estabiliza esse tempo de forma consistente, já que ele repõe a água mas não segura o filme lacrimal. Quem faz isso é a camada de óleo, e ela responde à testosterona. Tratar olho seco pensando só em estrogênio é tratar metade do problema.

**Suporte nutricional com respaldo científico**

Como suporte ao tratamento, três frentes nutricionais têm respaldo científico: ômega-3 (especialmente EPA), que melhora a qualidade da secreção oleosa; vitamina D, associada a um filme lacrimal mais estável; e vitamina A, matéria-prima do muco que fixa a lágrima ao olho.

Fabiane ressalta que não existe o olho seco da mulher, mas existem os olhos secos das mulheres, a mesma queixa nasce de mecanismos diferentes, por isso o tratamento é individual. Lágrima artificial sem conservante, higiene da pálpebra e revisão de medicamentos que ressecam o olho costumam vir antes de qualquer prescrição hormonal.

**Sinais que merecem atenção médica**

Merecem atenção médica a ardência ou sensação de areia nos olhos, visão que embaça e melhora ao piscar, piora ao fim do dia ou diante de telas, lacrimejamento paradoxal e desconforto ao usar lentes de contato antes bem toleradas. A mulher que enxerga mal ao anoitecer não precisa de paciência, precisa que a superfície ocular seja investigada como parte do climatério. O erro raramente é não tratar, mas é não perguntar.

## Perguntas Frequentes

### Por que o olho seco da menopausa não melhora só com colírio?

Porque a causa é hormonal, não apenas falta de lubrificação. A lágrima artificial trata o sintoma, mas não corrige a instabilidade do filme lacrimal causada pela queda de testosterona.

### Qual exame diagnostica o olho seco hormonal?

O teste TBUT (tempo de ruptura do filme lacrimal) mede a estabilidade da lágrima. Ele é menos pedido que o teste de Schirmer, mas essencial para identificar o problema real.

### A terapia hormonal com estrogênio resolve o olho seco?

Apenas parcialmente. O estrogênio aumenta o volume de lágrima, mas não estabiliza a camada oleosa. Para isso, a testosterona é necessária.

### Quais nutrientes ajudam no tratamento?

Ômega-3 (EPA), vitamina D e vitamina A têm respaldo científico para melhorar a qualidade da lágrima e a estabilidade do filme lacrimal.

### Quando procurar um médico?

Quando houver ardência, sensação de areia, visão que embaça e melhora ao piscar, lacrimejamento paradoxal ou desconforto com lentes de contato. O olho deve ser investigado como parte do climatério.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/quase-todo-mundo-trata-olho-seco-menopausa-forma-errada/
