# TCEMG 91 anos: guardião das Geraes e o dinheiro público

> O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais completa 91 anos em 9 de setembro de 2026, consolidado como órgão de controle externo responsável pela fiscalização dos recursos públicos mineiros. O conselheiro-presidente Durval Ângelo defende autonomia institucional, rigor técnico e participação social como pilares da atuação do TCEMG na gestão das contas estaduais.

*Portal Notícias MG · Serviços · 10 de setembro de 2026 · Inácio Bicalho*

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais completa 91 anos nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026. Em artigo, o conselheiro-presidente Durval Ângelo defende autonomia, rigor técnico e escuta da sociedade.

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) completa 91 anos nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026. Em artigo assinado pelo conselheiro-presidente Durval Ângelo, a Corte de Contas é apresentada como guardiã do dinheiro público e das demandas concretas da população mineira.

A sede fica na Avenida Raja Gabaglia, 1.315. É de lá que o Tribunal acompanha calçadas, parques, hospitais, transporte coletivo, estradas, cultura e lazer, áreas que, segundo o texto, dão sentido à existência da instituição.

O artigo cita o poeta itabirano Carlos Drummond de Andrade: "o tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente". A ideia central é que instituições longevas só se justificam quando respondem ao presente. E o presente, escreve Durval Ângelo, é feito de crianças à espera de vaga na creche, jovens que precisam de educação de qualidade, adultos que buscam trabalho e assistência, famílias que esperam saneamento, segurança e proteção social.

## Autonomia e rigor técnico como escudo do interesse público

Para cumprir esse papel, o Tribunal precisa de autonomia e independência. O texto trata essas condições como escudo do interesse público, não como capricho administrativo. O conselheiro-presidente saúda o primeiro presidente do TCEMG, José Maria de Alkmim, responsável por conferir à Casa o desenho institucional de independência técnica.

A relevância técnica aparece como DNA da Corte. Auditorias e inspeções, segundo o artigo, não são frias: a precisão metodológica impede que julgamentos sejam movidos por subjetividades. O rigor aplicado a cada processo, escreve, blinda a administração pública contra desperdício e favoritismo.

## Escola de Contas e a virada pedagógica de 1994

Em 1994, ao instituir a Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo, o TCEMG inaugurou a era da pedagogia. O foco deixou de ser apenas julgar o "papel passado" e aplicar sanções. Orientar o gestor, qualificar a administração e prevenir o erro passaram a ser estratégias de proteção ao dinheiro público.

O artigo também destaca a escuta ativa, com encontros técnicos em diversas regiões mineiras e pesquisas para mapear prioridades do jurisdicionado. Primeira infância, educação, saúde, meio ambiente e proteção das populações vulnerabilizadas, segundo o texto, não podem ser vistas apenas por tabelas orçamentárias. Por trás de indicadores, há pessoas.

Entre as inovações citadas estão as mesas de conciliação, vertente consensual do controle de contas, e o diálogo com outros poderes e com a academia, por meio de convênios com universidades e redes de proteção.

## Suricato, inteligência artificial e o olhar humano

A Central de Fiscalização Integrada, Inteligência e Inovação, conhecida como Suricato, foi consolidada na gestão do conselheiro Sebastião Helvécio (2015-2016). O sistema cruza notas fiscais eletrônicas em tempo real e tornou o TCEMG referência nacional em tecnologia de controle. O movimento prenuncia a era da inteligência artificial, transição que, segundo o artigo, desafia a Corte a dominar os códigos sem perder a profundidade do olhar humano. O texto cita o jornalista Otto Lara Resende: "a máquina não substitui o homem, ela o prolonga".

Ao completar 91 anos, o Tribunal trabalha para as pessoas, escreve o conselheiro-presidente. A data provoca uma pergunta: qual instituição será necessária daqui para frente? Quando o assunto é dinheiro público, justiça não é apenas ver a conta fechar no zero a zero. É saber se o dinheiro foi bem aproveitado, se a obra foi bem-feita e se mudou a vida de quem precisa. Se a vida concreta dos cidadãos e cidadãs sair de vista, o texto alerta, os instrumentos terão sido modernizados, mas a própria ideia de controle terá envelhecido.

O compromisso declarado é manter uma instituição quase centenária, como queria Drummond, profundamente presente, aos homens presentes e à vida presente.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/presente-porvir-91-anos-guardiao-geraes/
