Por que está frio em setembro com o El Niño? Entenda
O frio intenso e as geadas no Centro-Sul em setembro ocorrem enquanto o El Niño se fortalece. A explicação está na diferença entre previsão do tempo e climática. Veja o que os modelos indicam.
O início de setembro registrou temperaturas baixas e geadas no Sul do Brasil, enquanto o El Niño se fortalece no Pacífico e deve atingir intensidade muito forte nos próximos meses. A combinação não é contraditória, e a explicação está na diferença entre previsão do tempo e previsão climática.
A previsão do tempo considera as condições atmosféricas para os próximos dias. A climática trabalha com tendências para períodos mais longos. O El Niño aumenta a probabilidade de certos padrões de temperatura e chuva ao longo de uma estação, mas não impede a passagem de sistemas meteorológicos que causam mudanças bruscas.
Nesta segunda-feira (7), o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê atuação de frente fria sobre o Centro-Sul, com frio intenso na Região Sul e possibilidade de geada. Também há previsão de instabilidades e chuva no Centro-Oeste e Sudeste. A massa de ar frio derruba as temperaturas por alguns dias, mesmo em um período com tendência climática de calor. Uma sequência de dias frios não significa que a média mensal ficará abaixo do esperado.
O prognóstico do Inmet para setembro indica temperaturas acima da média em grande parte do país, principalmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Sudeste, os maiores desvios positivos são esperados em Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro. Em São Paulo, a previsão é de temperaturas dentro da média, com valores de até 1°C acima na faixa leste. No Sul, a maioria fica dentro da média, com desvios de até 0,6°C no leste do Paraná.
A previsão climática do Inmet, em conjunto com Cptec/Inpe e Funceme, para o trimestre setembro-outubro-novembro, indica maior probabilidade de temperaturas acima da normal em grande parte do Brasil. O documento ressalta que não estão descartados episódios de queda acentuada em setembro, associados à incursão de massas de ar frio.
O El Niño não age igual em todo o país. Para o trimestre, a previsão aponta maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. No Norte, Nordeste, Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo, a tendência é de precipitações abaixo da média.
O episódio atual foi confirmado em junho de 2026. O terceiro Painel El Niño 2026-2027, elaborado por Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam, indica 100% de probabilidade de permanência até o início de 2027. Há alta chance de categoria muito forte, com anomalias acima de 2°C no Pacífico Equatorial entre primavera e verão. O CPC/NOAA estima mais de 90% de chance de El Niño muito forte no trimestre, e 69% de probabilidade de ser o mais forte desde 1950, com anomalias que podem superar 2,5°C.
O fortalecimento do fenômeno não significa ausência de frio. As projeções oficiais consideram, ao mesmo tempo, tendência de temperaturas acima da média e quedas acentuadas por massas de ar frio. O frio atual não indica mudança na previsão do El Niño, que segue se intensificando, enquanto sistemas imediatos provocam episódios pontuais de baixas temperaturas.