# Plano de Trump para baixar preço do hambúrguer pode não dar certo

> O plano de Trump para baixar o preço do hambúrguer, que prevê importar 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifas por 90 dias, enfrenta ceticismo de especialistas. Dados oficiais indicam impacto pequeno nos preços ao consumidor, pois a medida cobre apenas uma fração do mercado interno. A redução esperada no custo final do sanduíche pode não se concretizar.

*Portal Notícias MG · Serviços · 31 de agosto de 2026 · Cláudia Resende*

Trump assinou proclamação para importar 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifas por 90 dias, mas especialistas e dados oficiais indicam impacto pequeno nos preços ao consumidor.

O presidente americano Donald Trump assinou uma proclamação executiva permitindo que 300 mil toneladas métricas de carne bovina entrem nos EUA sem tarifas por 90 dias, a partir de 1º de setembro. A medida tenta reduzir o preço do hambúrguer, mas dados oficiais e especialistas indicam impacto limitado no caixa do supermercado.

As importações devem ser vendidas a 25% abaixo do preço de mercado, segundo o texto. Um quilo de carne moída custa hoje cerca de US$ 6,89 em média no país, conforme o Bureau of Labor Statistics. A Casa Branca não detalhou como a isenção reduziria os preços, e também não explicou como as agências vão fiscalizar se o desconto será repassado.

Mesmo que a carne chegue mais barata, o efeito tende a ser pequeno. As 300 mil toneladas equivalem a cerca de 2% do consumo doméstico de carne bovina, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. Além disso, a isenção vale apenas para aparas de carne, usadas na mistura da carne moída, o que limita a redução geral de preço, afirma Glynn Tonsor, economista agrícola da Kansas State University.

"Serão algumas libras adicionais no mercado que não tínhamos antes, e nesse contexto isso pode ser bom para os consumidores. Mas acho que é fácil exagerar o quanto isso pode ajudar", disse Tonsor. O impacto também depende de as importações somarem à oferta ou apenas substituírem a carne que os processadores comprariam de fornecedores americanos.

Os consumidores americanos pagam 27% a mais por carne moída e por todas as carnes bovina e vitela em comparação com três anos atrás. Só no último ano, os preços subiram cerca de 9%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor de julho. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, atribuiu os preços altos à "oferta insuficiente para atender à demanda dos consumidores" e disse que a ação do presidente ajuda no curto prazo enquanto o governo trabalha para expandir a produção doméstica.

Tonsor, porém, vê a demanda como fator central. Pesquisa mensal com cerca de 3 mil americanos, o Meat Demand Monitor, mostra que no mês passado eles estavam dispostos a pagar US$ 10,09 por uma libra de carne moída e US$ 24,62 por um hambúrguer em restaurantes. Três anos antes, os valores eram US$ 8,67 e US$ 20,19. Esse apetite crescente, ligado à melhora da qualidade, pode dificultar a meta de Trump: mesmo com mais carne no mercado e com desconto, a oferta extra pode não ser suficiente para atender à demanda americana.

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