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Picanha e alcatra: Preços caem e oferta maior pode ampliar recuo, diz Apas

ResumoA Apas (Associação Paulista de Supermercados) registrou queda de 1,12% no preço da alcatra e 0,55% na picanha em junho de 2024, conforme dados do IPS em parceria com a Fipe. O economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, aponta que o fim da cota de exportação para a China deve aumentar a oferta interna, ampliando a tendência de recuo nos preços.

Dados do IPS, da Apas em parceria com a Fipe, mostram queda de 1,12% na alcatra e 0,55% na picanha em junho. Com o fim da cota de exportação para a China, a oferta interna deve crescer, pressionando os preços para baixo, segundo o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 27 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Picanha e alcatra: Preços caem e oferta maior pode ampliar recuo, diz Apas

Picanha e alcatra: Preços caem e oferta maior pode ampliar recuo, diz Apas

Os consumidores já encontram cortes de carne bovina mais baratos nos supermercados paulistas. Em junho, a alcatra registrou queda de 1,12%, seguida pela picanha, com baixa de 0,55%, filé mignon, -0,54%, e coxão duro, -0,49%. Os dados são do IPS (Índice de Preços dos Supermercados), elaborado pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Por que a oferta de carne deve aumentar?

A expectativa do setor é de que o movimento de queda ganhe força nos próximos meses. Cálculos da consultoria Safras & Mercado, com base nos dados oficiais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), apontam que, de janeiro até 30 de junho, o Brasil enviou 100,06% da proteína animal aos chineses, ultrapassando a cota anual de exportação de carne bovina destinada ao mercado chinês.

Com o limite atingido, os embarques que excederem a cota passam a ser tributados. Isso tende a reduzir temporariamente as exportações ao país asiático e aumentar a disponibilidade do produto no mercado interno até a renovação da cota, prevista para janeiro.

O que diz o economista-chefe da Apas

Para o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, as mudanças nas regras de importações chinesas e no comércio global podem reforçar esse cenário ao longo do segundo semestre.

"A tendência é que haja uma oferta maior no mercado doméstico. Parte desse volume pode até ser direcionada para outros mercados, mas, diante do cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo e das dificuldades comerciais, inclusive com os Estados Unidos, a expectativa é que uma parcela significativa permaneça no Brasil. Em dois ou três meses, esse movimento deve começar a aparecer de forma mais evidente nos preços pagos pelo consumidor", disse Queiroz.

Outros fatores por trás da queda

Apesar do cenário, Queiroz explica que a desaceleração dos preços é resultado de uma combinação de fatores, que vai além da maior oferta de carne no mercado.

"Observamos queda em alguns cortes específicos, mas, de modo geral, o preço agregado das carnes tem aumentado em ritmo menor do que no passado. Isso decorre da combinação de alguns fatores. O primeiro é o aumento da oferta. O segundo está relacionado ao custo de produção, já que alguns insumos ficaram mais baratos diante da tendência de queda da taxa de câmbio", afirmou à CNN.

Queiroz ainda explicou que a melhora das pastagens reduziu os custos com alimentação bovina, fazendo com que alguns cortes subissem menos e outros já entrassem em trajetória de queda.

O que esperar para os próximos meses?

Com a cota de exportação para a China esgotada e o cenário internacional de protecionismo, a tendência é que mais carne permaneça no Brasil. Em dois ou três meses, segundo Queiroz, o reflexo deve ficar mais evidente nos preços ao consumidor.

Perguntas Frequentes

A queda de preços já é geral?

Não. A redução ainda está concentrada em cortes específicos, como alcatra, picanha, filé mignon e coxão duro.

Quando a oferta maior deve impactar mais os preços?

Segundo Felipe Queiroz, em dois ou três meses o movimento deve aparecer de forma mais evidente nos preços pagos pelo consumidor.

Por que a cota de exportação para a China influencia?

Com a cota anual esgotada, os embarques excedentes são tributados, o que reduz temporariamente as exportações e aumenta a oferta interna.

O que mais influencia a queda?

Além da oferta, a queda do custo de produção e a melhora das pastagens também contribuem.

A carne vai ficar mais barata em todo o Brasil?

Os dados são do IPS, que mede preços em supermercados paulistas, mas a tendência de oferta maior pode se refletir em outras regiões.

Preços de carnes no Brasil Exportação de carne para China

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