PF detalha viagens pagas por Vorcaro a Ciro
Relatório da PF, liberado após decisão de André Mendonça, do STF, detalha viagens pagas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira, incluindo suíte royal em Nova York e estação de esqui nos Alpes Franceses.
O relatório da Polícia Federal que teve o sigilo retirado na última sexta-feira (11), por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, detalha viagens pagas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os documentos descrevem hospedagens de alto padrão e gastos com eventos privados, e ajudam a entender como a investigação reconstituiu a rotina de despesas do período.
A primeira viagem foi a Nova York, em maio de 2024. Segundo a PF, foram reservadas suítes no hotel Park Hyatt New York entre os dias 11 e 15 para Vorcaro e convidados, entre eles Ciro e o ex-ministro Fábio Faria. A hospedagem na suíte chamada de "royal" custou US$ 47,7 mil, o equivalente a R$ 245,1 mil, com diárias unitárias de US$ 4,7 mil.
Os documentos também detalham gastos com eventos privados, como uma degustação de uísque e charutos no The Carnegte Club, no valor total de cerca de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões). Só a aquisição de bebidas respondeu por US$ 674,7 mil.
A segunda viagem ocorreu em janeiro de 2025, entre os dias 11 e 26. Ciro e sua mulher se hospedaram na estação de esqui dos Alpes Franceses, inicialmente no Hotel K2 e depois no Chalet Grand Charlot. Conforme a PF, Vorcaro custeou integralmente aluguel de equipamentos, instrutores, motoristas e pagamentos diários em restaurantes de luxo. Foram identificadas despesas específicas de R$ 63 mil e de R$ 58,5 mil.
Mensagens mostram que Vorcaro ordenou a manutenção do pagamento das contas do casal mesmo após sua própria partida do local. Os gastos totais no período somaram aproximadamente R$ 1,8 milhão.
Para quem acompanha o noticiário político, o ponto prático é simples: o relatório não é uma condenação, e sim um retrato de despesas que a investigação considera relevantes. O sigilo foi retirado por decisão do ministro André Mendonça, o que torna públicos os detalhes que antes estavam restritos ao processo. A partir daí, o caso segue os trâmites judiciais, e novos desdobramentos dependem das apurações em curso.
O que se sabe até agora é o que está nos documentos: datas, hotéis, valores e a indicação de quem pagou o quê. Qualquer conclusão sobre responsabilidade depende do andamento do processo, não do relatório isolado.