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Parkinson avançado: por que os comprimidos param de fazer efeito?

ResumoA doença de Parkinson avançada apresenta flutuações motoras com períodos on e off quando os comprimidos de levodopa perdem eficácia. A redução da resposta ao medicamento não representa o fim do tratamento, mas o início de uma nova fase terapêutica. Novas terapias, incluindo opções recentemente disponíveis no Brasil, são indicadas para manejar essas oscilações.

Quando os comprimidos de levodopa param de funcionar como antes no Parkinson avançado, não é o fim do tratamento, é o início de uma nova fase. Entenda as flutuações motoras, os períodos on e off e as terapias que chegam ao Brasil.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 18 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Parkinson avançado: por que os comprimidos param de fazer efeito?

Parkinson avançado: por que os comprimidos param de fazer efeito?

Uma das perguntas que mais escuto de pacientes com doença de Parkinson é: "Doutor, meu remédio parou de funcionar?". Geralmente, essa dúvida surge quando os comprimidos, que durante anos controlaram bem os sintomas, passam a ter um efeito mais curto ou imprevisível. A resposta, no entanto, não é simples.

No Parkinson avançado, os comprimidos de levodopa não deixam de funcionar, o cérebro perde a capacidade de armazenar e usar a dopamina de forma estável. Isso gera flutuações motoras: períodos on (medicamento faz efeito) e off (sintomas voltam). A solução pode envolver ajustes orais ou terapias de infusão contínua, como a nova combinação de foslevodopa e foscarbidopa aprovada pela Anvisa em maio de 2026.

O que acontece com a levodopa com o tempo?

A levodopa continua sendo o medicamento mais eficaz para controlar os sintomas motores da doença de Parkinson. Nos primeiros anos de tratamento, o cérebro ainda consegue armazená-la e transformá-la em dopamina de forma relativamente estável. Mas, à medida que a doença progride, a perda dos neurônios produtores de dopamina reduz essa capacidade.

Na prática, o paciente passa a depender cada vez mais da quantidade de levodopa que está circulando no sangue naquele momento. É aí que surgem as flutuações motoras: períodos "on", nos quais o medicamento está fazendo efeito e os movimentos estão mais livres, alternados com períodos "off", quando a rigidez, a lentidão, o tremor ou a dificuldade para caminhar retornam.

Por que o efeito dos comprimidos fica imprevisível?

A absorção dos comprimidos pode variar conforme o funcionamento do estômago, os horários das refeições e a presença de proteínas na alimentação. O resultado é uma sequência de picos e quedas na concentração do medicamento. O paciente pode precisar de doses mais frequentes, acordar já em período "off" ou perceber que o efeito termina antes da próxima tomada.

Simplesmente aumentar a dose dos comprimidos nem sempre resolve. Em muitos casos, isso pode intensificar as discinesias, movimentos involuntários relacionados às oscilações da medicação, e outros efeitos adversos.

O que são discinesias?

As discinesias são movimentos involuntários que podem surgir quando a concentração de levodopa no sangue sobe ou desce rapidamente. Elas são diferentes dos tremores típicos do Parkinson e costumam aparecer justamente quando o medicamento está no pico de ação. Ajustar a dose ou o intervalo entre as tomadas pode ajudar, mas nem sempre é suficiente.

Novas terapias para Parkinson avançado no Brasil

É justamente por isso que a medicina passou a buscar formas de oferecer uma estimulação dopaminérgica mais contínua. Entre os avanços mais recentes está a combinação de foslevodopa e foscarbidopa administrada por uma bomba portátil que realiza infusão subcutânea contínua durante 24 horas.

A terapia foi aprovada pela Anvisa em maio de 2026 para pacientes com doença de Parkinson avançada que apresentam flutuações motoras importantes, mas ainda aguarda as etapas de precificação e disponibilização comercial no Brasil.

Em vez de depender de diversas doses de comprimidos ao longo do dia, essa estratégia mantém níveis mais estáveis de levodopa na circulação. O objetivo é reduzir os períodos "off", prolongar o tempo em que o paciente permanece bem e diminuir as oscilações motoras que comprometem a qualidade de vida.

Outras opções de tratamento contínuo

A infusão subcutânea contínua passa a integrar um conjunto de terapias avançadas disponíveis para pacientes selecionados. Outra opção é a infusão intestinal de levodopa, utilizada há vários anos, que administra o medicamento continuamente diretamente no intestino por meio de uma bomba conectada a uma sonda.

Também faz parte desse grupo a estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS (Deep Brain Stimulation). Nesse procedimento, eletrodos são implantados em áreas específicas do cérebro e conectados a um dispositivo semelhante a um marcapasso, capaz de modular os circuitos responsáveis pelo controle dos movimentos.

Embora utilizem técnicas diferentes, todas essas abordagens compartilham o mesmo objetivo: reduzir as oscilações motoras, diminuir os períodos "off" e proporcionar um controle mais estável dos sintomas.

Como escolher o melhor tratamento?

Hoje sabemos que não existe uma única solução para todos os pacientes com Parkinson avançado. A escolha do tratamento depende de diversos fatores, como idade, tempo de doença, intensidade das flutuações motoras, estado cognitivo, autonomia, presença de outras doenças e resposta às medicações.

Algumas pessoas continuam apresentando excelente controle apenas com ajustes na terapia oral. Outras podem se beneficiar das terapias de infusão contínua ou da estimulação cerebral profunda.

O mais importante é compreender que o aparecimento dos períodos "on" e "off" não significa que o tratamento chegou ao limite. Na maioria das vezes, ele apenas entra em uma nova fase.

Perguntas Frequentes

O que fazer quando a levodopa para de fazer efeito?

Consulte o neurologista para avaliar ajustes na dose, intervalos entre as tomadas ou a possibilidade de terapias de infusão contínua, como a nova combinação de foslevodopa e foscarbidopa aprovada pela Anvisa.

Quanto tempo dura o efeito da levodopa no Parkinson avançado?

O efeito pode durar de 2 a 4 horas, mas varia conforme a progressão da doença, absorção gástrica e alimentação. Em estágios avançados, o paciente pode sentir o efeito terminar antes da próxima dose.

O que são períodos on e off no Parkinson?

Período "on" é quando o medicamento está fazendo efeito e os movimentos estão mais livres. Período "off" é quando os sintomas motores retornam, como rigidez, lentidão e tremor.

A infusão subcutânea para Parkinson já está disponível no Brasil?

A terapia com foslevodopa e foscarbidopa foi aprovada pela Anvisa em maio de 2026, mas ainda aguarda precificação e disponibilização comercial.

Texto escrito pelo neurologista Marcelo Zalli (CRM/SC 17.333 | RQE 13.326), professor titular de Neurologia na Universidade do Vale do Itajaí e membro da Brazil Health

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