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Paraguai é foco de empresas brasileiras que buscam produzir com menor custo

ResumoParaguai tornou-se destino estratégico para empresas brasileiras em 2025, com mais de 23 mil brasileiros obtendo residência no país. Os incentivos fiscais e custos operacionais reduzidos atraem negócios que buscam produzir com menor custo. A migração produtiva impacta a competitividade industrial brasileira e pode influenciar preços ao consumidor final.

Com incentivos fiscais e custos operacionais reduzidos, o Paraguai atrai cada vez mais empresas brasileiras. Em 2025, mais de 23 mil brasileiros obtiveram residência no país vizinho. Saiba como isso afeta a produção e o bolso do consumidor.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 18 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Paraguai é foco de empresas brasileiras que buscam produzir com menor custo

Paraguai é foco de empresas brasileiras que buscam produzir com menor custo

Historicamente conhecido como destino de turismo de compras, o Paraguai se consolidou nos últimos anos como um polo de negócios para empresas brasileiras. Incentivos fiscais e custos operacionais reduzidos têm atraído um número crescente de empresários a produzir do outro lado da fronteira, com impacto direto na cadeia de produção e, em última instância, no consumidor final.

Por que o Paraguai atrai empresas brasileiras?

As cidades paraguaias próximas ao Brasil, especialmente na região da Tríplice Fronteira com o Paraná, passam por intensa transformação. Avenidas tornaram-se canteiros de obras, e projetos de novos parques industriais e condomínios surgem em ritmo acelerado, impulsionados pela chegada de investimentos estrangeiros.

Segundo o Departamento de Migrações do Paraguai, em 2024 cerca de 17 mil brasileiros obtiveram autorização para morar no país vizinho. Em 2025, esse número saltou para mais de 23 mil, um aumento de 37%. Ainda de madrugada, brasileiros formam filas em postos itinerantes de migrações em Ciudad del Este, que fica a menos de 4 quilômetros da Ponte da Amizade, para solicitar documentação de residência.

De acordo com o chefe de migrações da cidade paraguaia, as filas às vezes começam três dias antes e já reuniram quase 500 pessoas em um único dia, quase todas do Brasil. Entre os que aguardam, há empresários como um distribuidor de insumos de climatização de Curitiba, que declarou estar "pensando em migrar para o Paraguai" e avaliando a possibilidade de transferir suas operações para o país vizinho.

Incentivos fiscais e regime de maquiladoras

Os grandes investidores brasileiros chegam ao Paraguai atraídos principalmente pelos incentivos governamentais para as chamadas empresas maquiladoras, firmas voltadas à exportação de bens e serviços. Entre os benefícios estão isenções fiscais e aduaneiras, imposto único de 1% sobre as exportações e suspensão tributária para importações de maquinário e matéria-prima.

Atualmente, há pelo menos 179 empresas de capital brasileiro atuando no Paraguai sob esse regime, das quais 47 se instalaram nos últimos cinco anos.

Conforme explicou Sergio Firpo, professor do Insper, "essas empresas não estão indo para o Paraguai necessariamente para vender produtos para os paraguaios. Na verdade, elas estão indo para o Paraguai para vender produtos para o Brasil. Esse regime especial é como se fosse uma zona franca, só que sediada num país vizinho".

Exemplos de empresas brasileiras no Paraguai

A Karsten, indústria de Santa Catarina fabricante de artigos de cama, mesa e banho, é uma das marcas nacionais que iniciaram operações no Paraguai. Com três plantas no Vale do Itajaí, a empresa abriu em maio deste ano uma instalação em um município próximo a Ciudad del Este. A unidade de confecção, localizada em Minga Guazú, foi pensada para ser a etapa final do processo de produção de toalhas: o tecido é enviado da matriz brasileira ou de outros fornecedores em rolos, cortado, costurado e etiquetado no local, para depois ser empacotado e enviado ao Brasil para distribuição.

"O Paraguai é um país estável em termos de moeda, de juros, de legislação há mais de 20 anos. É uma grande oportunidade de internacionalizar e potencializar", afirmou um representante da empresa.

A Lupo, fabricante de roupas de moda íntima e meias, também figura entre as empresas brasileiras que se instalaram recentemente no país vizinho.

Impacto nos custos e no consumidor

Um advogado que atende empresas brasileiras instaladas no Paraguai afirmou que a rentabilidade das operações no país "em determinados casos assusta", devido aos ganhos tributários, de encargos trabalhistas e de horas trabalhadas. No Paraguai, a jornada de trabalho é de até 48 horas semanais, quatro a mais que no Brasil. Caso o fim da escala 6x1 seja aprovado pelo Congresso brasileiro, essa diferença passaria a ser de 8 horas semanais.

Apesar do baixo índice de desemprego, que chegou a 3,5% no ano passado, cerca de 60% dos trabalhadores do Paraguai estão na informalidade. A chegada de empresas estrangeiras é vista como uma forma de reverter esse quadro. Além do impacto no mercado de trabalho, o país já registra transformações visíveis, como a construção de condomínios de alto padrão destinados a profissionais que virão trabalhar nas novas indústrias.

Desafios da infraestrutura e energia

Apesar das vantagens, o boom industrial no Paraguai apresenta desafios. A energia no país pode ser até 60% mais barata que no Brasil, mas enfrenta problemas na distribuição. Para contornar os riscos, empresas precisam investir em geradores, buscar parques industriais com subestações de energia ou até construir uma subestação próxima ao local de produção. O governo paraguaio reconhece o gargalo, mas afirma que manterá impostos baixos e está transferindo a responsabilidade da infraestrutura pública para o setor privado.

Posição do governo brasileiro

A CNN Brasil procurou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio sobre a decisão de empresas brasileiras de se fixarem no exterior. O governo afirmou que se trata de uma opção de caráter privado e disse não monitorar esses movimentos, embora ressalte que acompanha os anúncios feitos em comunicações públicas. A pasta destacou ainda que no Brasil existem diversas iniciativas de apoio e incentivo à competitividade, produtividade e inovação.

Perguntas Frequentes

O que é o regime de maquiladoras no Paraguai?

É um regime especial de incentivos fiscais para empresas voltadas à exportação, com imposto único de 1% sobre exportações e suspensão tributária para importação de maquinário e matéria-prima.

Quantas empresas brasileiras estão no Paraguai?

Atualmente, há pelo menos 179 empresas de capital brasileiro atuando sob o regime de maquiladoras, das quais 47 se instalaram nos últimos cinco anos.

A energia no Paraguai é mais barata que no Brasil?

Sim, pode ser até 60% mais barata, mas a distribuição enfrenta gargalos, exigindo investimentos em geradores ou subestações.

Como a produção no Paraguai afeta o consumidor brasileiro?

Empresas produzem no Paraguai com custos menores e vendem para o Brasil, o que pode resultar em preços mais competitivos para o consumidor final.

O governo brasileiro monitora essa migração?

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio afirmou que não monitora esses movimentos, considerando-os uma opção de caráter privado.

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