# Pix com limite de horário e valor para combater golpes

> O Banco Central estuda impor limites de horário e valor para transações Pix de alto valor durante a madrugada, com análise mais longa dessas operações. A medida visa reduzir golpes financeiros, especialmente em horários de menor monitoramento. A implementação exigiria que instituições financeiras adotassem procedimentos adicionais de segurança, sem detalhes finais sobre os valores ou faixas horárias afetadas.

*Portal Notícias MG · Serviços · 30 de agosto de 2026 · Marília Stefani*

O Banco Central avalia exigir análise mais longa de transações Pix de alto valor na madrugada. Saiba o que muda e por que a medida é estudada.

O Banco Central do Brasil (BC) avalia exigir que as instituições financeiras analisem por mais tempo as transferências Pix de alto valor feitas na madrugada antes de creditar os valores nas contas dos destinatários. A informação foi divulgada pela jornalista Thaís Barcellos, do jornal O Globo, em matéria publicada na última segunda-feira (24). Ainda não há definição de valores e horários específicos, conforme a informação inicial.

O objetivo da medida seria fortalecer a segurança digital e bancária, combatendo crimes como golpes digitais, fraudes, roubos e transferências forçadas por sequestros-relâmpago. No entanto, não há previsão para aplicação da mudança, pois o estudo demanda cuidados para não alterar o caráter imediato da transferência.

A discussão vem acompanhada de um aumento no número de registros de contestações de Pix. Entre janeiro e abril deste ano, 11,9 milhões de transações Pix foram contestadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), conforme dados do Banco Central. No mesmo período de 2025, foram 5,1 milhões. A alta foi de 134%, o que significa que o número de contestações mais que dobrou no período.

De acordo com o advogado Michel Correia Campos, a grande maioria dos golpes que usam a ferramenta Pix acontece após o expediente bancário, ou seja, depois das 17h, principalmente às sextas-feiras e aos fins de semana. "Elas acontecem nestes horários para dificultar que as vítimas tomem as medidas necessárias para recuperar os valores perdidos, acionar as centrais de segurança e ferramentas adequadas", observa.

O especialista avalia que limitar movimentações de alto valor pode ser uma forma de proteger consumidores e a população. Como aponta, há muitas discussões sobre a responsabilidade em casos de golpes, e o Judiciário tem se dividido sobre o tema. Inclusive, há decisões que reconhecem que a responsabilidade é do cliente consumidor lesado.

"A partir da decisão de limitar as movimentações, a responsabilidade dos bancos na verificação das transações será ainda maior, contribuindo para a proteção dos consumidores em casos de golpes ou fraudes, especialmente se as regras estabelecidas pelo Banco Central forem descumpridas", prevê o advogado.

Diante da possibilidade de limitações sobre movimentações de valores altos, Campos estima que toda a cadeia consumerista deverá se adequar às novas regras e ofertar aos consumidores formas adequadas para pagamento e recebimento. "Movimentações vultosas geralmente são realizadas com programação e requerimento antecipado. Os bancos também deverão se adequar de forma a possibilitar que as necessidades dos clientes sejam atendidas conforme o perfil dos clientes", finaliza.

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