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TOC: 6,97 anos para buscar ajuda; psiquiatra explica

Pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) levam, em média, 6,97 anos entre o início dos sintomas e a busca por ajuda, segundo meta-análise publicada em 2025 no Journal of Affective Disorders. O estudo analisou dados de 31 pesquisas, com 5.960 pacientes, e apontou que o período médio de doença sem tratamento foi de 6,69 anos. A psiquiatra Raíza Alves Pereira explica que parte do atraso está ligada à vergonha de revelar os sintomas.

Segundo a médica, os sintomas que mais provocam sofrimento são justamente os que os pacientes têm maior vergonha de expor. O TOC é mais frequente em mulheres e costuma surgir no fim da adolescência ou no início da vida adulta. O histórico familiar é um dos fatores de risco: estimativas indicam que cerca de 40% da variação na expressão do transtorno pode estar relacionada a fatores hereditários.

A psiquiatra destaca que muitos pacientes interpretam o conteúdo dos pensamentos obsessivos como informação sobre o próprio caráter. "A maioria dos pacientes reconhece que seus pensamentos são excessivos e incongruentes com o que acreditam. Muitos passam a interpretá-los como evidência de um defeito moral, como se um pensamento tivesse o mesmo peso que uma ação", afirma.

Entre as principais barreiras à busca por tratamento, o estudo identificou desconhecimento sobre o transtorno, estigma, medo, negação, desconfiança em relação aos profissionais de saúde e dúvidas sobre a eficácia do tratamento. "É frequente que o conteúdo das obsessões envolva justamente aquilo que a pessoa mais valoriza", explica a médica.

Apesar do impacto, o TOC tem tratamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental, especialmente com Exposição e Prevenção de Resposta, está entre as principais opções. O paciente aprende, gradualmente e com orientação profissional, a enfrentar situações que despertam obsessões sem recorrer às compulsões habituais.

"Entender que pensar em algo não é o mesmo que desejar ou agir, e que esses pensamentos são manifestações de um transtorno, não reflexos do caráter, pode transformar a maneira como os pacientes se relacionam com seus sintomas", conclui Raíza. terapia cognitivo-comportamental

Ronaldo Pimenta
Repórter de Esporte Mineiro
Torcedor convertido em repórter, cobre o futebol de Minas com paixão controlada e imparcialidade entre rivais.
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