OPAS amplia acesso a medicamento contra HIV em 14 países
A OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) anunciou nesta terça-feira (15) que vai ampliar o acesso ao medicamento antirretroviral lenacapavir, usado no tratamento contra HIV/Aids, para 14 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil. A distribuição será feita por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da organização, dentro de um acordo com a Gilead Sciences, farmacêutica que desenvolveu o remédio.
A medida chega em um momento de aumento no número de casos na região. Segundo a OPAS, aproximadamente 140 mil novas infecções pelo HIV ocorrem a cada ano na América Latina e no Caribe, o que pressiona os sistemas de saúde a ampliar as opções de prevenção.
O que é o lenacapavir e por que a administração semestral importa
Segundo a OPAS, o lenacapavir é uma profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada, administrada duas vezes ao ano. O medicamento foi recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como opção adicional para a prevenção do HIV, após estudos demonstrarem eficácia de quase 100% na prevenção da infecção pelo vírus.
A administração semestral é vista como alternativa para pessoas que podem enfrentar dificuldades com esquemas de prevenção mais frequentes. Conhecido como Sunlenca, o lenacapavir é indicado para adolescentes acima de 12 anos pesando acima de 35 kg que correm o risco de adquirir o HIV. Antes de iniciar o uso, os pacientes devem ter um teste negativo da doença.
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em janeiro o uso do medicamento.
Como a OPAS pretende viabilizar a compra
Na prática, a organização está oferecendo recursos para os países adquirirem o remédio. Também presta cooperação técnica para apoiar a avaliação e a quantificação das necessidades, a elaboração de diretrizes, o monitoramento e a preparação dos sistemas de saúde de cada região.
A incorporação do medicamento nos programas nacionais de HIV ocorrerá de forma progressiva e dependerá dos processos regulatórios de cada país, segundo a OPAS.
Para Jarbas Barbosa, diretor da OPAS, o acordo complementa outras decisões de licenciamento voluntário que oferecem recursos complementares para que os países tenham acesso ao lenacapavir. "Hoje, as Américas dispõem de ferramentas cada vez mais eficazes para prevenir o HIV, mas essas inovações só terão impacto se chegarem às pessoas que delas necessitam", afirmou.
Gilead assume compromisso de transferência de tecnologia no Brasil
Durante o acordo, a Gilead também se comprometeu a avançar em um processo de transferência de tecnologia no Brasil. O objetivo da farmacêutica é realizar a produção própria do produto no território brasileiro. O país foi um dos mais vulneráveis à epidemia da doença que ocorreu em 1980.
"Parcerias estratégicas são essenciais para a nossa ambição de contribuir para o fim da epidemia de HIV", afirmou Johanna Mercier, diretora de Assuntos Comerciais e Corporativos da Gilead Sciences. Segundo ela, o acordo demonstra como a colaboração entre governos, organizações de saúde pública e a indústria pode ampliar o acesso, acelerar a implementação e criar as condições necessárias para uma expansão sustentável.
Para quem depende do serviço público, o acesso ao lenacapavir ainda vai depender da velocidade dos trâmites regulatórios de cada país e da capacidade de cada rede de saúde de incorporar a nova opção de prevenção.