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Para onde vai o dólar: eleição e Fed no radar

ResumoO dólar encerra 2026 influenciado por dois fatores principais: a eleição presidencial brasileira e as decisões de juros do Federal Reserve. O boletim Focus projeta a moeda americana a R$ 5,20 no fim do ano, mas economistas alertam que a trajetória até dezembro deve registrar volatilidade elevada, com oscilações ligadas ao cenário político e à política monetária dos Estados Unidos.

Dólar termina 2026 sob pressão dupla: eleição presidencial e decisão do Fed. Focus projeta R$ 5,20 no fim do ano, mas economistas alertam que o caminho até dezembro deve ser turbulento.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 13 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Para onde vai o dólar: eleição e Fed no radar

Sou de uma região onde o preço do dólar chega antes pela conversa do rádio do que pelo aplicativo do banco. E a pergunta que mais escuto agora é simples: para onde vai o dólar até o fim de 2026? A resposta curta: o mercado trabalha com R$ 5,20 para dezembro, segundo o último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central em 8 de setembro. Para 2027, a mediana das projeções ficou em R$ 5,30.

Mas o caminho até lá não será tranquilo. Economistas ouvidos pela CNN Money apontam que a volatilidade tende a aumentar conforme a eleição presidencial se aproxima. E o investidor vai cobrar clareza sobre o programa econômico do próximo governo.

O dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0918 em 11 de setembro, segundo o Banco Central. No dia 4, havia batido R$ 5,1253. Essa oscilação de quase quatro centavos em uma semana é o retrato do que vem por aí.

O que a eleição muda no seu bolso

No dia 2 de setembro, o dólar fechou a R$ 5,10 e o Ibovespa avançou mais de 3%, reagindo a um levantamento que mostrou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Esse movimento tem nome: trade eleitoral, com entrada de recursos estrangeiros e valorização do real.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o cenário é misto. O diferencial de juros ainda favorece o real, mas a questão fiscal representa um risco que pode voltar a pesar no câmbio. "Quem quer que ganhe pode sinalizar um compromisso maior ou menor com o equilíbrio fiscal", afirma.

Emerson Jr., head de Offshore da Convexa Investimentos, vê a eleição como fator importante, mas diz que ainda é cedo para projetar o fim do ano. Para ele, seria difícil ver o dólar abaixo de R$ 5 sem melhora clara das perspectivas fiscais.

André Valério, economista sênior do Inter, trabalha com R$ 5,15 para o fim de 2026. Um ajuste fiscal mais crível para 2027 em diante poderia destravar uma apreciação mais forte do real.

O Fed e o diferencial de juros

Se a eleição é o fator interno, o Federal Reserve é o externo. A próxima reunião do órgão ocorre entre 15 e 16 de setembro, com decisão no segundo dia. O CPI americano subiu 0,4% em agosto, e a inflação em 12 meses chegou a 3,4%, reforçando expectativas de alta dos juros por lá.

O mercado vê como certo um corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Se o Brasil reduzir os juros enquanto o Fed mantém postura dura, o diferencial entre as taxas diminui e o real perde uma de suas principais vantagens.

Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco, projeta o dólar em R$ 5,30 no fim do ano. "Em algum grau tem impacto no investidor, diferencial de juros continua cavalar, mas diminui na margem", afirma.

Para quem vive da terra, isso significa insumo mais caro, máquina com preço reajustado e exportação que pode render mais. O que ninguém sabe ainda é qual será a composição do próximo governo. E é aí que o câmbio vai decidir seu rumo.

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