# Moraes e Vorcaro: mensagens que pesam no STF

> Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro trocaram 52 mensagens analisadas pela Polícia Federal em relatório submetido ao Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15). A Procuradoria-Geral da República pede a anulação do documento, alegando vícios de origem na apuração. O caso envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pode influenciar decisões da corte sobre a validade das provas.

*Portal Notícias MG · Serviços · 15 de setembro de 2026 · Marília Stefani*

O STF analisa nesta terça-feira (15) relatório da Polícia Federal que reúne 52 mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A PGR pede a anulação do documento por vícios de origem.

O STF (Supremo Tribunal Federal) analisa nesta terça-feira (15) um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O documento está no centro da sessão que poderá definir se há elementos para abrir investigação contra Moraes ou arquivar o caso. A PGR (Procuradoria-Geral da República) também pede a anulação do relatório, sob o argumento de que sua produção teve vícios de origem.

## O que a PF reuniu

A PF reuniu 52 mensagens entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. O relatório reconstrói principalmente conteúdos enviados por Vorcaro a um número salvo em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA". As respostas do ministro não aparecem integralmente no material tornado público.

Segundo a investigação, Vorcaro usava mensagens temporárias e, em algumas ocasiões, escrevia textos no aplicativo Notas, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo WhatsApp. A PF afirmou ter recuperado parte desse conteúdo a partir de arquivos e registros encontrados no aparelho.

## As mensagens mais citadas

Um dos trechos de maior repercussão ocorreu dois dias antes da primeira prisão de Vorcaro. Em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro perguntou a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Na mesma sequência, questionou se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sabia do que estava ocorrendo e perguntou: "Conseguimos fazer algo?".

No dia seguinte, Vorcaro voltou a procurar o ministro e perguntou se havia chance de uma operação ocorrer na manhã seguinte. A PF interpretou as mensagens como indício de que Vorcaro buscava informações sobre o avanço da Operação Compliance Zero. Moraes nega ter cometido irregularidades.

Na noite de 17 de novembro de 2025, minutos antes de ser preso no Aeroporto de Guarulhos, Vorcaro voltou a mandar mensagem ao contato atribuído a Moraes. "Estou online", escreveu o banqueiro, ao informar que estava a caminho de uma viagem ao exterior. Vorcaro foi preso pouco depois. Na manhã seguinte, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

## Contratos e encontros

O relatório menciona um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Segundo a PF, registros digitais indicariam que Moraes participou da análise de versões do documento.

O escritório afirmou que o ministro foi consultado apenas para verificar se havia impedimento jurídico para a contratação e que, como não foi identificado obstáculo, o acordo foi firmado. A investigação encontrou ainda um segundo contrato, de R$ 50 milhões, entre o escritório e uma empresa ligada a Vorcaro.

A PF também encontrou registros que, segundo a corporação, indicam encontros entre Moraes e Vorcaro entre 2023 e 2025. Em uma das situações, Vorcaro orientou funcionários a preparar uma recepção "ultra VIP" para uma visita atribuída a Moraes em Campos do Jordão.

## O que o STF decide

As mensagens não serão analisadas isoladamente. Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de investigação contra Moraes, o plenário deverá enfrentar o pedido da PGR para anular o relatório da Polícia Federal. A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Caso a nulidade seja acolhida, o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Também há ministros que avaliam que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

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Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/mensagens-reunioes-relacao-vorcaro-pesa-contra-moraes/
