Medicamento com menos dependência para insônia chega ao Brasil
O Dayvigo (lemborexanto), medicamento contra insônia que promete menos dependência, chega ao Brasil ainda este ano por cerca de R$ 200, resultado de parceria entre Eurofarma e Eisai.
Um medicamento contra a insônia que promete causar menos dependência do que os remédios atuais deve chegar ao Brasil ainda este ano. O Dayvigo (lemborexanto) será vendido por cerca de R$ 200, resultado de uma parceria entre a Eurofarma e a japonesa Eisai, dona da molécula. É a primeira droga da classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina (DORA) a entrar no país.
Os remédios mais usados hoje contra insônia, como zolpidem, zopiclona e eszopiclona, as chamadas drogas "Z", funcionam como indutores do sono: aumentam a atividade de um neurotransmissor inibitório no cérebro, forçando a sonolência. O lemborexanto segue a lógica inversa, bloqueando a orexina, neurotransmissor responsável por manter o cérebro em estado de vigília.
A molécula se liga aos dois subtipos de receptores de orexina, o que a diferencia dos indutores tradicionais. Em vez de "desligar" o cérebro, ela impede que o sinal de alerta continue ativo. Essa abordagem pode reduzir o risco de dependência, um dos principais problemas dos tratamentos atuais, mas ainda exige acompanhamento médico.
A chegada do Dayvigo ocorre em meio a um alerta da USP sobre os riscos da automedicação em casos de insônia. A pesquisa da universidade reforça que o uso sem orientação de qualquer indutor de sono, incluindo as drogas Z, pode levar a tolerância e dependência. O novo medicamento, porém, não elimina a necessidade de avaliação profissional.
Ainda sem data exata de lançamento, o Dayvigo chega ao mercado com preço estimado em R$ 200, valor que pode variar conforme a rede de farmácias. A expectativa é que amplie as opções terapêuticas para quem não responde bem aos tratamentos convencionais, mas a eficácia e a segurança dependem de prescrição e acompanhamento médico.
A entrada do lemborexanto no país marca um avanço na classe farmacológica, mas não substitui o cuidado clínico. Quem sofre de insônia deve buscar avaliação médica antes de qualquer mudança de tratamento, especialmente diante do alerta da USP sobre os riscos da automedicação.