# Matemática: só 28% atingem nível básico no Pisa

> O Pisa 2025 mostra que apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançam o nível básico em matemática, enquanto a média da OCDE é de 65%. O resultado repete o desempenho de 2022 e amplia a distância entre os extremos de proficiência no país.

*Portal Notícias MG · Serviços · 14 de setembro de 2026 · Cláudia Resende*

Pisa 2025 revela que apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingem o nível básico em matemática, contra 65% na OCDE. O resultado repete 2022 e amplia a distância entre os extremos de desempenho.

Divulgados nesta terça-feira (8), os resultados do Pisa 2025 mostram que apenas 28% dos estudantes brasileiros de 15 anos alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática, patamar considerado básico. Na média dos países da OCDE, organização que aplica a avaliação, a proporção é de 65%.

Esse nível não cobra fórmula decorada. Verifica se o estudante interpreta uma situação relativamente simples sem que ninguém diga qual operação usar: comparar o tempo de duas rotas, converter preços para outra moeda, reconhecer que um problema do dia a dia cabe em uma conta.

Comparar duas promoções de supermercado, uma com 20% de desconto e outra com "leve 3 e pague 2", pode travar a maioria dos adolescentes brasileiros. Para Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da Casio Educação, a dificuldade não está apenas em fazer contas. "Está principalmente em usar a matemática com autonomia diante de uma situação que não diz explicitamente qual operação deve ser feita", explica à CNN Brasil.

O resultado de 2025 é praticamente o mesmo de 2022. Pouco mudou também em relação a 2018 e 2015. Em dez anos, o Brasil passou por reforma do ensino médio, pandemia e fechamento e reabertura das escolas. Em matemática, quase nada mudou.

## O que os indicadores de estrutura não explicam

O país não vai mal nos itens que costumam justificar desempenho ruim. Apenas 21% dos estudantes brasileiros estão em escolas cujos diretores relatam que a falta de professores prejudica o ensino, contra 39% na média da OCDE.

A explicação, então, está na sala de aula. Lima vê ali um desequilíbrio antigo: "Quando ensinamos primeiro apenas a técnica e deixamos a aplicação para depois, corremos o risco de formar um aluno que sabe executar um procedimento, mas não reconhece quando utilizá-lo". Resolve a equação na lista de exercícios, mas não a enxerga na vida real.

A saída, diz ele, não é largar o estudante diante de um problema aberto. O professor precisa escolher boas situações, dividir o problema em etapas, discutir estratégias e organizar os procedimentos que apareceram. Aprender a fazer a conta e entender quando usá-la andam juntos.

## A média estável esconde uma distância maior

Entre 2022 e 2025, aumentou no Brasil a distância entre os 10% de estudantes com melhor desempenho e os 10% com pior desempenho, justamente em matemática. Em leitura e ciências, essa diferença não mudou de forma significativa.

Lima observa que a distância entre estudantes ricos e pobres cresceu no Brasil entre 2022 e 2025, em apenas três sistemas avaliados. Faz uma ressalva contraintuitiva: distância menor não significa sistema mais equitativo, já que na OCDE parte da aproximação veio da piora dos alunos mais ricos, não da melhora dos mais pobres. "Equidade não significa fazer quem está na frente avançar menos. Significa criar condições para que quem parte de uma situação menos favorável também avance", diz.

No Brasil, quase ninguém está na frente: praticamente nenhum estudante alcançou os níveis 5 ou 6 em matemática, contra 8% na média da OCDE. Nesses níveis, não basta fazer contas. É preciso modelar situações complexas, decidir como resolvê-las, comparar possibilidades e avaliar se a resposta faz sentido, habilidades usadas em engenharia, estatística e ciência de dados. "O problema é sistêmico", avalia Lima.

Para ele, a tecnologia ajuda quando usada de forma intencional: em uma aula de funções, o estudante formula primeiro uma hipótese sobre como um parâmetro altera o gráfico e só depois testa. Em estatística, processa os dados e usa o tempo para interpretá-los. Mas há limite: cálculo mental, papel e lápis e construção manual de um procedimento seguem importantes. "O ponto não é colocar mais tecnologia em sala de aula. É saber qual ferramenta utilizar, em que momento e com qual objetivo matemático", resume.

como funciona a avaliação do Pisa aprendizagem de matemática no ensino médio

---

Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/matematica-por-so-28-brasileiros-atingem-nivel-basico-pisa/
