# Marco Rubio diz que acordo nuclear EUA-Arábia Saudita terá salvaguardas

> O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu o acordo nuclear com a Arábia Saudita, assegurando salvaguardas contra a conversão para armas. O pacto, aprovado pelo ex-presidente Donald Trump, permite o enriquecimento de urânio sem o 'padrão-ouro' de inspeção internacional e segue para análise do Congresso dos EUA.

*Portal Notícias MG · Serviços · 23 de julho de 2026 · Marília Stefani*

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu acordo nuclear com a Arábia Saudita, garantindo salvaguardas contra conversão para armas. O pacto, aprovado por Trump, segue para análise do Congresso e permite enriquecimento de urânio sem o 'padrão-ouro' de inspeção internacio

## Marco Rubio diz que acordo nuclear EUA-Arábia Saudita terá salvaguardas

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (23) que o acordo nuclear civil entre Estados Unidos e Arábia Saudita contará com salvaguardas para evitar que o programa seja convertido em armas. A declaração ocorreu durante a cúpula da ASEAN, em Manila, nas Filipinas, em meio a preocupações de observadores sobre os riscos de proliferação na região.

## O que Rubio disse sobre as salvaguardas do acordo

Rubio justificou o apoio dos EUA ao acordo afirmando que, quando países buscam um programa nuclear civil, é preferível que o façam com os americanos. "Isso nos permite exercer influência sobre os rumos que o programa tomará", disse a jornalistas. Ele classificou Riad como um "parceiro estratégico" e ressaltou que qualquer acordo firmado com qualquer país sobre energia nuclear para fins civis incluirá salvaguardas.

"Uma das melhores salvaguardas é assegurar que a tecnologia e as empresas americanas estejam envolvidas no processo", completou Rubio.

## Como funciona o acordo 123 entre EUA e Arábia Saudita

O documento, conhecido como "acordo 123", foi aprovado pelo presidente Donald Trump na quarta-feira (22) e seguirá para análise obrigatória no Congresso. Segundo uma autoridade americana, o pacto teria duração de 30 anos e envolveria empresas dos EUA fornecendo tecnologia e expertise para desenvolver o programa saudita.

O acordo pode permitir o enriquecimento de combustível para reatores nucleares civis sem adotar o "padrão-ouro" de supervisão internacional, de acordo com duas autoridades americanas e uma fonte a par do assunto.

## As restrições impostas à Arábia Saudita

Antes que o enriquecimento de urânio possa começar, uma equipe conjunta dos EUA e da Arábia Saudita avaliaria se a medida é justificada e comercialmente viável. Os americanos construiriam a instalação sem transferir a tecnologia sensível para o país do Oriente Médio.

O acordo também proíbe Riad de desenvolver sua própria tecnologia de enriquecimento ou de adquiri-la de outros países por uma década, segundo o Wall Street Journal, que noticiou em primeira mão a aprovação.

## A questão do Protocolo Adicional e das inspeções

A Arábia Saudita não é obrigada a assinar o Protocolo Adicional com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ao contrário do que fizeram os Emirados Árabes Unidos em 2009 ao assinarem um acordo de cooperação nuclear de "padrão ouro" com os EUA, afirmou uma autoridade.

Os sauditas resistiram por muito tempo a assinar o protocolo, receosos de que ele pudesse permitir a entrada de inspetores na cidade sagrada de Meca ou em palácios reais. Em vez disso, o documento inclui um pacto bilateral de salvaguardas que se assemelha ao protocolo-modelo, mas sem as cláusulas que desagradaram a Riad, segundo uma autoridade dos EUA.

O Conselho de Governadores da AIEA terá de ratificar os termos do acordo.

## O que dizem os defensores do pacto

O secretário de Energia americano, Chris Wright, argumentou que "os acordos mantêm os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação". O comunicado do Departamento de Energia afirmou que os acordos marcam o início de "uma parceria multibilionária de várias décadas" e que irão "gerar empregos bem remunerados nos EUA e promover o crescimento econômico a longo prazo".

Dan Joyner, consultor de regulamentação nuclear e professor de direito da Universidade do Alabama, disse que o entendimento abrirá caminho para que "empresas americanas e de países aliados" vendam reatores, componentes, serviços de combustível, treinamento e assistência técnica, mediante aprovação governamental para exportação.

## Os riscos de proliferação e a reação regional

A medida causa preocupação entre os países da região, que temem a proliferação de armas nucleares. Israel, que segundo se acredita amplamente possui armas nucleares não declaradas, vê com desconfiança o acesso da Arábia Saudita à tecnologia nuclear.

O Irã, principal rival da Arábia Saudita na região, possui um estoque de urânio enriquecido e prometeu manter seu programa nuclear mesmo após meses de bombardeios dos EUA, alegando fins civis. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, disse que buscaria ter uma arma nuclear caso o Irã venha a produzir uma.

## O que acontece se o acordo fracassar

Se o acordo fracassar, segundo Joyner, "a Arábia Saudita poderá voltar-se para a Rússia ou a China, conferindo a esses países influência de longo prazo sobre infraestruturas sauditas críticas". É provável que outros países da região acompanhem de perto o andamento do acordo.

A CNN havia noticiado anteriormente que o governo deixou o acordo parado por meses devido a preocupações com a guerra envolvendo o Irã e a possibilidade de rejeição pelo Congresso.

## Perguntas Frequentes

### O acordo permite que a Arábia Saudita enriqueça urânio?

Sim, o acordo pode permitir o enriquecimento de combustível para reatores nucleares civis, mas antes disso uma equipe conjunta dos EUA e da Arábia Saudita avaliará se a medida é justificada e comercialmente viável.

### A Arábia Saudita terá que assinar o Protocolo Adicional da AIEA?

Não. O acordo não exige que Riad assine o Protocolo Adicional, ao contrário do que fizeram os Emirados Árabes Unidos. Em vez disso, há um pacto bilateral de salvaguardas.

### Quanto tempo dura o acordo?

Segundo uma autoridade americana, o acordo 123 teria duração de 30 anos.

### O que impede a Arábia Saudita de desenvolver armas nucleares?

O acordo proíbe Riad de desenvolver sua própria tecnologia de enriquecimento ou de adquiri-la de outros países por uma década. As salvaguardas incluem o envolvimento de empresas e tecnologia americanas no processo.

### O que acontece se o Congresso rejeitar o acordo?

O acordo seguirá para análise obrigatória no Congresso. A CNN havia noticiado que o governo deixou o acordo parado por meses devido à possibilidade de rejeição pelos legisladores.

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