Linhão MA-GO: operação antecipada para 2028 reduzirá tarifas e riscos
O linhão de transmissão que liga o Maranhão a Goiás terá operação antecipada para 2028, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A obra de 1.000 km vai escoar energia renovável do Nordeste para o Centro-Oeste, reduzir tarifas e ampliar a segurança do sistema integra
Linhão de transmissão que liga MA a GO terá operação antecipada para 2028
O linhão de transmissão que conecta o Maranhão a Goiás terá sua operação antecipada para 2028, conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A linha de aproximadamente 1.000 quilômetros vai escoar energia de fontes renováveis do Nordeste para o Centro-Oeste, reduzindo tarifas e ampliando a segurança do sistema integrado nacional.
O que é o linhão MA-GO e por que a antecipação é relevante
A linha de transmissão de ultra-alta tensão em corrente contínua (UHVDC) ligará a subestação de Graça Aranha, no Maranhão, à subestação de Silvânia, em Goiás. O projeto, originalmente previsto para 2029, teve o cronograma adiantado em um ano após análise do ONS e do Ministério de Minas e Energia.
A antecipação para 2028 responde à necessidade de escoar o excedente de geração eólica e solar do Nordeste, que hoje é desperdiçado por falta de capacidade de transmissão. Segundo o ONS, em 2025 o corte de geração renovável na região superou 5% do total gerado. Com o linhão, esse índice deve cair para menos de 1%.
Impactos na tarifa de energia elétrica
Um dos principais benefícios da obra é a redução do custo da energia para o consumidor. A linha permitirá que a energia mais barata gerada no Nordeste, com custo médio de R$ 120 por MWh em parques eólicos, chegue ao Centro-Oeste, onde a geração térmica local custa até R$ 400 por MWh (dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, CCEE, 2025).
A estimativa do ONS é que a operação do linhão reduza em cerca de 8% o custo da energia no subsistema Centro-Oeste, aliviando a conta de consumidores residenciais e industriais. Para o Nordeste, a obra garante que a geração renovável não seja mais cortada, o que também reduz o preço médio da energia na região.
Segurança energética e confiabilidade do sistema
A linha de transmissão MA-GO é um dos 13 projetos prioritários do Plano de Outorgas de Transmissão (POT) 2025-2028, do Ministério de Minas e Energia. O objetivo é integrar as regiões com maior potencial de geração renovável aos grandes centros de consumo.
Atualmente, o sistema elétrico brasileiro enfrenta gargalos na transmissão entre o Nordeste e o Sudeste/Centro-Oeste. Em dias de vento forte e sol intenso no Nordeste, a geração eólica e solar é cortada por falta de fios para levar a energia até onde é consumida. O linhão resolve esse problema com capacidade de 3.000 MW, suficiente para abastecer cerca de 4 milhões de residências.
De acordo com o ONS, a obra reduz em 15% o risco de déficit energético no Centro-Oeste durante o período seco (maio a outubro), quando as hidrelétricas da região operam com baixa vazão.
Geração de empregos e desenvolvimento regional
A construção do linhão mobilizará cerca de 8 mil trabalhadores diretos no pico das obras, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os estados do Maranhão, Tocantins e Goiás, por onde a linha passa, serão os mais beneficiados com a geração de empregos temporários e o aumento da arrecadação de ICMS.
A obra também estimula a instalação de novos parques eólicos e solares no Maranhão e no Piauí, que hoje não têm escoamento garantido. O governo do Maranhão estima que a linha atraia R$ 5 bilhões em investimentos em geração renovável no estado até 2030.
Cronograma e próximos passos
A licença ambiental prévia foi emitida pelo Ibama em dezembro de 2025. As obras de terraplanagem começam em março de 2026 nos dois extremos da linha. A previsão é que a energização dos primeiros trechos ocorra em junho de 2028, com operação comercial plena no segundo semestre do mesmo ano.
O investimento total é de R$ 4,2 bilhões, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por recursos próprios das concessionárias vencedoras do leilão de transmissão realizado em 2024.
Perguntas Frequentes
O linhão vai aumentar minha conta de luz?
Não. A obra reduzirá o custo da energia no Centro-Oeste ao substituir geração térmica local por energia renovável mais barata do Nordeste. A redução estimada é de 8% na tarifa do subsistema.
Quando a obra fica pronta?
A operação comercial está prevista para o segundo semestre de 2028, um ano antes do cronograma original.
Quais estados serão beneficiados?
Maranhão (ponto de partida), Tocantins (trajeto) e Goiás (ponto de chegada). Indiretamente, todo o sistema interligado nacional ganha em confiabilidade.
A obra já tem licença ambiental?
Sim. O Ibama emitiu a licença prévia em dezembro de 2025. As licenças de instalação serão obtidas por trecho ao longo de 2026.
Quantos empregos serão gerados?
Cerca de 8 mil postos de trabalho diretos no pico das obras, além de empregos indiretos na cadeia de fornecedores.
O linhão vai poluir o meio ambiente?
A linha segue o traçado de menor impacto ambiental, aprovado pelo Ibama. As torres ocupam faixa estreita de terra e não interferem em unidades de conservação ou terras indígenas, conforme o estudo de impacto ambiental.
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