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Justiça suspende médico investigado por falhas em cirurgias estéticas

ResumoRodrigo Ribeiro Credidio teve o exercício profissional suspenso em caráter liminar pela Justiça de Minas Gerais. O médico é investigado por possíveis falhas em cirurgias estéticas realizadas em Belo Horizonte. A decisão judicial também determinou o afastamento de Rodrigo Ribeiro Credidio da direção técnica da clínica onde os procedimentos foram feitos.

A Justiça de Minas Gerais suspendeu, em caráter liminar, o exercício profissional do médico Rodrigo Ribeiro Credidio, investigado por possíveis falhas em cirurgias estéticas em Belo Horizonte. A decisão também o afastou da direção técnica da clínica.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 10 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Justiça suspende médico investigado por falhas em cirurgias estéticas

A Justiça de Minas Gerais determinou, em caráter liminar, a suspensão do exercício profissional do médico Rodrigo Ribeiro Credidio, investigado por possíveis falhas relacionadas a procedimentos estéticos realizados em Belo Horizonte. A decisão também determinou o afastamento dele da função de diretor técnico da clínica onde atuava. O caso envolve a morte de uma paciente e denúncias apresentadas por outras mulheres.

A decisão foi tomada pelo juiz Elias Charbil Abdou Obeid, da 26ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, no âmbito de uma Ação Civil Pública ajuizada pela Defensoria Pública de Minas Gerais. O processo tramita em segredo de Justiça e a medida tem caráter provisório, podendo ser revista durante o andamento da ação.

O que a decisão aponta

Segundo informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a decisão apontou indícios de possíveis falhas na realização de procedimentos cirúrgicos e no acompanhamento das pacientes. O magistrado considerou, em análise inicial, que os elementos reunidos no processo indicavam situações que poderiam ter colocado pacientes em risco.

Entre os casos relacionados às investigações está o da servidora da Universidade Federal de Minas Gerais Norma Eduarda da Fonseca, de 59 anos, que morreu em abril de 2024 depois de passar por procedimentos estéticos em Belo Horizonte. Ela havia sido submetida a uma cirurgia em fevereiro de 2024. Conforme informações divulgadas durante as investigações, cinco procedimentos estéticos teriam sido realizados na mesma sessão, que durou várias horas.

Após receber alta, a paciente apresentou complicações de saúde e acabou internada. Permaneceu hospitalizada por aproximadamente dois meses e morreu em 17 de abril de 2024. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Depois da repercussão, outras mulheres procuraram as autoridades para relatar experiências com procedimentos realizados pelo mesmo profissional. Em 2024, informações divulgadas pelas autoridades indicavam que mais de 20 mulheres haviam apresentado relatos que passaram a ser analisados.

Indícios de padrão e falhas no consentimento

Segundo a decisão judicial, relatos presentes em inquéritos policiais e sindicâncias do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais apontaram indícios de um padrão de conduta envolvendo a realização de múltiplos procedimentos cirúrgicos de alta complexidade em uma única sessão. Também foram mencionadas possíveis falhas no processo de consentimento das pacientes e no acompanhamento realizado depois das cirurgias. Esses pontos ainda serão analisados durante o processo e não representam uma condenação definitiva.

Outro aspecto considerado pela Justiça envolve o histórico de fiscalização sanitária da clínica. Conforme os documentos citados na decisão, o estabelecimento teria funcionado sem alvará sanitário adequado para realização de procedimentos cirúrgicos em determinados períodos entre 2019 e 2024. Durante uma fiscalização da Vigilância Sanitária de Belo Horizonte em 26 de abril de 2024, foram registradas irregularidades como instrumentos cirúrgicos com prazo de validade expirado e problemas relacionados à rastreabilidade de medicamentos.

A clínica informou no processo que a situação foi posteriormente regularizada e apresentou alvará sanitário renovado em julho de 2026. O juiz considerou, porém, que a regularização posterior não eliminava automaticamente as ocorrências registradas anteriormente.

Prazos e próximos passos

A decisão determinou que a clínica apresente, no prazo de 15 dias, os termos de consentimento, prontuários e demais registros clínicos das pacientes submetidas a procedimentos cirúrgicos realizados pelo médico entre 2019 e 2024. A documentação será utilizada para identificar as pacientes abrangidas pela Ação Civil Pública e permitir uma análise individual dos atendimentos. Caso os documentos não sejam apresentados dentro do prazo, a Justiça poderá determinar medidas para localização e apreensão do material.

Além da suspensão temporária das atividades profissionais do médico, a decisão determinou a substituição dele na função de diretor técnico da clínica. O estabelecimento deverá indicar outro profissional habilitado para assumir a responsabilidade técnica. O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais também deverá ser comunicado sobre a decisão judicial para adoção das providências dentro de suas atribuições.

Na Ação Civil Pública, a Defensoria Pública também pede a responsabilização do médico e da clínica por danos morais coletivos. Entre os pedidos está uma indenização de pelo menos R$ 800 mil, além da possibilidade de reparações individuais às pacientes, caso a responsabilidade seja reconhecida ao final do processo. O Ministério Público de Minas Gerais se manifestou favoravelmente à concessão integral da tutela de urgência solicitada pela Defensoria, considerando presentes os requisitos legais para as medidas preventivas enquanto o processo é analisado.

A defesa do médico e da clínica contesta as acusações e informou que pretende recorrer da decisão. A clínica afirma estar atualmente regularizada, com licenças e alvará sanitário válidos, e sustenta que apresentará seus argumentos e documentos no processo. A decisão que suspendeu o exercício profissional não representa condenação definitiva. O médico e a clínica ainda poderão apresentar defesa, recursos e provas durante a tramitação da ação. As investigações relacionadas aos procedimentos realizados entre 2019 e 2024 também continuam sendo analisadas pelos órgãos responsáveis. Caberá à Justiça decidir, ao final do processo, se houve responsabilidade civil pelas condutas apontadas na ação.

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