# Juro alto e produtividade pesam na indústria, diz professor da FGV

> A indústria de transformação brasileira ocupa a 69ª posição entre 90 países no ranking internacional, com piora pelo segundo ano consecutivo. O professor Joelson Sampaio, da FGV, atribui o declínio a juros altos e baixa produtividade, fatores que comprometem a competitividade do setor.

*Portal Notícias MG · Serviços · 27 de julho de 2026 · Geraldo Assunção*

A indústria de transformação brasileira perdeu posições no cenário internacional pelo segundo ano consecutivo, ocupando a 69ª colocação entre 90 países. Professor Joelson Sampaio, da FGV, aponta juros altos e baixa produtividade como causas.

A indústria brasileira de transformação perdeu posições no cenário internacional pelo segundo ano consecutivo. Em ranking que reúne 90 países, o Brasil ocupa a 69ª colocação, permanecendo entre o terço das economias com pior desempenho industrial. Os dados foram compilados pelo IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) com base em informações da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.

Em entrevista ao CNN Money, o professor de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas), Joelson Sampaio, apontou dois fatores principais para explicar esse resultado: um de natureza conjuntural e outro estrutural.

## Juros altos e o custo do capital

Segundo o economista, o primeiro fator está relacionado à manutenção da taxa de juros em patamares elevados por um período prolongado. "Isso acaba afetando bastante os investimentos na indústria, porque você aumenta o custo de capital das empresas e acaba trazendo um desafio em termos de inovação e de financiamento para a indústria", afirmou.

## Entraves estruturais e produtividade

Além dos juros elevados, Sampaio destacou entraves estruturais que comprometem a competitividade. Entre eles estão o baixo nível de incorporação de tecnologia, a reduzida produtividade e os altos custos logísticos. "Tem uma questão mais estrutural, que é o nível de incorporação de tecnologia e também a produtividade da indústria brasileira", explicou.

O professor acrescentou que a logística nacional amplia o chamado "custo Brasil", especialmente para empresas voltadas à exportação ou que mantêm maior integração com mercados internacionais.

## Investimento insuficiente

Ao analisar os investimentos no setor, Sampaio observou que a taxa de investimento do Brasil corresponde a aproximadamente 16% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto a formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e infraestrutura, representa menos de 2%. Para ele, esse cenário limita o crescimento da indústria de transformação e reduz sua competitividade frente a outros países. "Isso acaba trazendo um resultado de uma indústria que anda muito de lado, cresce pouco e perde competitividade porque os outros países estão investindo", avaliou.

## Commodities em destaque

Apesar do desempenho geral desfavorável, o professor ressaltou que o setor de commodities apresentou resultados mais positivos. Beneficiado pelo câmbio, pelo cenário internacional favorável e pelas relações comerciais com a China, esse segmento conseguiu manter um ritmo de crescimento superior ao restante da indústria. "O setor ligado a commodities, e aí vai no sentido amplo, não só a parte de minério, mas também alguns segmentos do agro, acaba trazendo resultados positivos e favorecendo um ciclo mais positivo para a indústria", explicou. No entanto, ele alertou que esse desempenho é conjuntural e não garante uma recuperação consistente da indústria como um todo.

## Desindustrialização ou sucateamento?

Ao ser questionado sobre o risco de desindustrialização, Sampaio avaliou que esse cenário ainda é pouco provável. "O Brasil não tem esse risco hoje de um cenário de desindustrialização. O desafio que o Brasil tem é de tentar melhorar a sua indústria, aumentar a capacidade de investimento e de competitividade", afirmou. Por outro lado, o economista advertiu que, caso não sejam adotadas políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor, o país corre o risco de enfrentar um processo de sucateamento industrial.

Para reverter esse quadro, defende o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a incorporação de novas tecnologias, a melhoria da infraestrutura logística e a capacitação da mão de obra, fatores considerados essenciais para elevar a produtividade e recuperar a competitividade da indústria brasileira.

## Perguntas Frequentes

### O que explica a queda da indústria brasileira no ranking global?

Segundo o professor Joelson Sampaio, da FGV, dois fatores principais explicam o resultado: juros elevados (conjuntural) e baixa produtividade com entraves logísticos (estrutural).

### Qual é a posição do Brasil no ranking industrial?

O Brasil ocupa a 69ª colocação entre 90 países, segundo dados do IEDI com base em informações da ONU para o Desenvolvimento Industrial.

### O Brasil corre risco de desindustrialização?

Para o economista, o risco de desindustrialização é pouco provável, mas o país pode enfrentar sucateamento industrial se não houver políticas públicas de fortalecimento do setor.

### Quais são as soluções apontadas para a indústria?

Sampaio defende aumento de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, incorporação de novas tecnologias, melhoria da infraestrutura logística e capacitação da mão de obra.

### Por que o setor de commodities vai bem?

O setor de commodities é beneficiado pelo câmbio, pelo cenário internacional favorável e pelas relações comerciais com a China, mas o desempenho é considerado conjuntural.

---

Fonte (canonical): https://portalnoticiasmg.com.br/servicos/juro-alto-produtividade-pesam-industria-diz-professor/
