IBGE: Transporte puxa queda de 0,6% no setor de serviços em maio
O volume de serviços no Brasil caiu 0,6% em maio, com o transporte sendo o principal responsável pela retração, segundo o IBGE. O recuo interrompe dois meses de alta e acende alerta sobre a recuperação do setor.
Moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte sentiram no bolso e no tempo de deslocamento o que os números do IBGE confirmaram: o setor de serviços encolheu em maio, puxado pelo transporte.
O volume de serviços no Brasil caiu 0,6% em maio, segundo o IBGE. O transporte foi o principal responsável pela queda, com recuo de 1,2% no período. O resultado interrompe dois meses consecutivos de alta e reflete a desaceleração da atividade econômica.
Transporte puxa a fila da queda
Dentro do setor de serviços, o segmento de transportes, armazenagem e correio registrou a maior contribuição negativa. O recuo de 1,2% no mês foi o mais intenso entre todos os ramos pesquisados.
Para quem depende de ônibus, metrô ou aplicativos para se locomover, a notícia não é só estatística. "A gente sente que o movimento caiu. Menos gente pegando condução, menos entrega acontecendo", relata Carlos Antônio, motorista de aplicativo há cinco anos na Grande BH. A percepção dele encontra respaldo nos dados oficiais.
O IBGE informou que o transporte rodoviário de cargas e o transporte coletivo de passageiros tiveram queda no período. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostra que, entre os cinco grandes segmentos analisados, apenas dois tiveram alta: serviços profissionais, administrativos e complementares (0,4%) e outros serviços (0,2%).
Serviços recuam após dois meses de alta
A queda de maio veio depois de altas de 0,8% em março e 0,5% em abril, segundo o IBGE. O resultado negativo interrompe a trajetória de recuperação que vinha sendo observada desde o início do ano.
Na comparação com maio de 2025, o setor de serviços acumula alta de 2,1%. O dado mostra que, apesar do tombo mensal, o setor ainda opera em patamar superior ao do ano passado.
O IBGE também divulgou que, no acumulado de janeiro a maio, o volume de serviços cresceu 1,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Impacto na economia e no bolso
A retração do setor de serviços acende um alerta para a economia brasileira. O setor responde por cerca de 70% do PIB nacional e é o maior empregador do país. Quando o transporte encolhe, os efeitos se espalham: menos entregas, menos deslocamentos, menos consumo.
Para o morador da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a queda no volume de serviços pode significar menos oferta de transporte público, redução de horários ou aumento indireto de custos. A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada para comentar os dados, mas não retornou até o fechamento desta reportagem.
O que esperar para os próximos meses
Economistas consultados apontam que a trajetória do setor de serviços dependerá da inflação, dos juros e da confiança do consumidor. O Banco Central mantém a Selic em 9,75% ao ano, patamar que ainda desestimula o consumo e o investimento.
O IBGE divulga os dados da PMS mensalmente, com detalhamento por estado e por segmento. A próxima divulgação, referente a junho, está prevista para agosto.
Perguntas Frequentes
O que é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS)?
É uma pesquisa do IBGE que acompanha a evolução do volume de serviços no Brasil, por segmento e por estado.
Por que o transporte foi o principal responsável pela queda?
O segmento de transportes, armazenagem e correio recuou 1,2% em maio, puxado pela queda no transporte rodoviário de cargas e no transporte coletivo de passageiros.
O setor de serviços está em crise?
Não. A queda de maio interrompe dois meses de alta, mas o acumulado do ano ainda é positivo: 1,8% de janeiro a maio.
Como os dados do IBGE afetam o dia a dia?
A queda no volume de serviços reflete menor atividade econômica, que pode significar menos empregos, menos renda e menos opções de transporte e lazer.
Onde consultar os dados completos?
No site do IBGE, na seção da Pesquisa Mensal de Serviços. Os dados por estado e por segmento estão disponíveis para download.