Gasolina cara nos EUA pressiona motoristas no outono
A gasolina cara ainda pesa no bolso dos americanos e deve manter pressão no outono. Com preços recordes, viagens em família ficam comprometidas. Veja o impacto.
A professora aposentada Linda French, 78 anos, de Jonesborough, Tennessee, esperava visitar o irmão idoso, que se recupera de cirurgia no quadril, e as pequenas sobrinhas-netas em Nova York neste verão. Mas a gasolina cara a impediu de dirigir centenas de quilômetros. Voar também ficou fora do alcance: o voo que ela fez em março mais que dobrou de preço em poucos meses. Ela se contenta com chamadas de vídeo, mas admite: "Você não pode abraçar sua família".
Pouco mais de seis meses após o início do conflito entre EUA e Irã, os preços seguem muito acima do fim de fevereiro, quando o galão comum custava US$ 2,98 em média, segundo a AAA. Na segunda-feira, motoristas pagaram US$ 4,15 por galão, recorde para o Dia do Trabalho. Em agosto, a média foi de US$ 4,07, a mais alta para o mês, com petróleo bruto oscilando na faixa de US$ 80 por barril, disse Aixa Diaz, porta-voz da AAA. O valor superou em dez centavos o de 2022, quando os preços dispararam após a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Os preços altos não impediram os americanos de pegar a estrada, mas encerraram uma sequência de grandes aumentos em viagens. As viagens nos feriados de Memorial Day e 4 de julho ficaram estáveis, segundo a AAA. E a pressão deve continuar no outono. Antes deste ano, o preço no Dia do Trabalho nunca havia passado de US$ 4. Em 2022, havia caído para US$ 3,79 no feriado, após recorde de US$ 5,02 em junho.
Sem fim para os combates no Golfo Pérsico e entre Rússia e Ucrânia, os preços devem permanecer elevados até o outono, dizem especialistas. "Provavelmente veremos nosso setembro, outubro e novembro mais caros", afirma Patrick De Haan, do GasBuddy. Com os ataques recentes entre EUA e Irã, ele vê mudança "cada vez menos provável".
O impacto atinge também os mais jovens. Colton Comstock, 28, analista financeiro em Johnsburg, Illinois, voltou para casa após a faculdade para economizar e pagar US$ 60 mil em empréstimos estudantis. Mas seu trajeto de 75 milhas (120 km) de ida e volta faz ele gastar mais no tanque. Recentemente pagou US$ 4,55 por galão. "O aumento está anulando o fato de morar em casa para economizar", diz. Ele reduziu os pagamentos extras da dívida e foi só uma vez à casa de lago da família, a 100 milhas (160 km), em Wisconsin.
Linda Cook, de New Paris, Ohio, trocou o lago por uma piscina inflável no quintal. Os preços altos, somados a contas de luz e prêmios do Medicare, a fizeram cortar mantimentos. Ex-consultora de negócios que recebe auxílio-invalidez, ela abriu mão de pedicures e de um maiô novo. "Quando você não tem muito dinheiro, aprende a ser feliz com as pequenas coisas", diz. "Quando até elas ficam difíceis, a vida fica difícil." impacto da inflação no custo de vida viagens em família em tempos de preços altos