# STF: 10 movimentações no fim de semana impactam julgamento

> O Supremo Tribunal Federal registrou dez decisões entre a noite de sexta-feira (11) e domingo (13), envolvendo o caso Master, a investigação do ministro Alexandre de Moraes e o caso Dark Horse. O plenário da Corte retoma a análise desses temas na terça-feira (15), em sessão que pode alterar os rumos dos três processos.

*Portal Notícias MG · Serviços · 14 de setembro de 2026 · Ronaldo Pimenta*

Entre a noite de sexta (11) e domingo (13), o STF despachou dez decisões sobre o caso Master, a investigação do ministro Alexandre de Moraes e o caso Dark Horse. O plenário volta a analisar o tema na terça-feira (15).

Entre a noite de sexta-feira (11) e domingo (13), o STF despachou dez decisões a respeito do caso Master, do julgamento da investigação do ministro Alexandre de Moraes e do caso Dark Horse. O plenário volta a analisar o tema na terça-feira (15).

A primeira decisão foi o levantamento de sigilo de uma série de processos ligados ao caso Master, determinado por André Mendonça. Com a quebra, foram divulgadas informações sobre gastos do longa-metragem Dark Horse, conversas entre o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, detalhes sobre viagens pagas pelo ex-dono do Master ao senador Ciro Nogueira (PP) e voos do senador Jaques Wagner (PT) designados por Vorcaro.

Após a divulgação das petições e o pedido do ministro Cristiano Zanin pela divulgação dos dados do celular de Vorcaro, Mendonça afirmou que a medida comprometeria o inquérito do caso Master.

Na manhã do sábado (12), o presidente da Corte, Edson Fachin, anunciou por ofício a data do julgamento do pedido de investigação contra Mendonça para 23 de setembro. Fachin argumentou que a análise em sessões separadas assegura um "adequado direcionamento dos trabalhos" e destacou que o pedido contra Mendonça ainda está em fase de instrução.

"A liberação para inclusão imediata em calendário importaria na submissão ao plenário de matéria cuja instrução preliminar ainda não se encontra concluída", escreveu.

Horas depois, a PGR voltou a pedir a Fachin o compartilhamento de todos os dados necessários ao julgamento de questões relacionadas ao caso Master para todos os ministros. No fim da tarde de sábado, Fachin ordenou que a PF informasse em até 24 horas onde estão os dados e em que condições se encontram os dados extraídos do celular de Vorcaro. A decisão foi tomada após Zanin, Moraes e Gilmar Mendes pedirem acesso à íntegra do material.

No despacho, Fachin citou os esclarecimentos prestados por Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo Mendonça, a cópia em seu gabinete é apenas um backup de segurança do material extraído do celular de Vorcaro e permanece lacrada. O ministro afirmou que nunca manuseou o conteúdo e que o material só seria usado em caso de perda ou extravio do original.

Após o pedido, Fachin assinou um novo ofício para assumir a relatoria da investigação contra Alexandre de Moraes. Também pediu que o material dos casos do Banco Master e INSS seja remetido a ele. Com os processos remetidos, fica paralisado qualquer ato decisório monocrático no âmbito do caso, mas Fachin determinará as decisões de reserva judicial, atos que só podem ser autorizados pelo judiciário como buscas e quebras de sigilo.

Na manhã do dia seguinte, domingo (13), o ministro Flávio Dino decidiu retirar o sigilo da investigação do caso Dark Horse, que apura o possível direcionamento de emendas parlamentares para o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão alcança o material produzido pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up, produtora responsável pelo filme.

Com a quebra do sigilo, foram noticiadas apurações como a suspeita do MP-SP de que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido usados indiretamente para financiar a produção de "Dark Horse"; o autofaturamento de R$ 1,4 milhão em notas fiscais emitidas pelo ICB; e que a mesma ONG pagou R$ 3 milhões à empresa de um possível membro do PCC.

A PF informou a Fachin que tem condições de fornecer imediatamente aos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro. Segundo a corporação, o compartilhamento pode ser feito com preservação da cadeia de custódia, individualização dos lacres e certificação da integridade do material, caso Fachin autorize a medida.

Mendonça também se posicionou sobre a retirada de sigilo do celular de Vorcaro, afirmando que as informações do aparelho "contribuiria para tumultuar o julgamento". No documento, pediu que Fachin determine que quatro delegados prestem informações sobre "eventuais constrangimentos sofridos ao longo das investigações".

No fim da tarde de domingo, Zanin foi o primeiro a determinar que a PF entregasse ao seu gabinete, até às 23h, uma cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro. No despacho, afirmou que "não existe hierarquia" entre os ministros do Supremo e que os elementos de prova pertencem ao plenário e aos seus ministros, e não a um integrante específico da Corte. Segundo ele, o acesso à cópia é necessário antes da sessão marcada para terça, quando o STF analisará o procedimento relacionado às mensagens entre Vorcaro e Moraes. Zanin afirmou ainda que, até aquele momento, a íntegra do material não havia chegado ao seu gabinete.

Quase uma hora depois, Moraes pediu que Fachin determinasse o levantamento do sigilo de um processo que, segundo ele, reúne elementos necessários para a sessão de terça-feira (15), quando o plenário analisará o caso das mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Moraes pediu que a Pet 15.645 seja aberta e disponibilizada a todos os ministros antes do julgamento. Segundo a CNN Brasil, o processo reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

No ofício, Moraes afirmou que a petição, distribuída por prevenção a Mendonça, contém "elementos essenciais" para o julgamento da Pet 16.662, que reúne o material sobre as mensagens entre ele e Vorcaro. Pouco depois, Fachin determinou que a PGR se manifestasse "com brevidade" sobre a retirada do sigilo.

Na esteira de Zanin, Gilmar Mendes reforçou às 20h30 do domingo o pedido feito por ele mesmo na sexta-feira para ter acesso à cópia dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro.

"Sem a verificação da mídia que se encontra no Gabinete do Ministro André Mendonça há mais de seis meses, não há como identificar omissões, obscuridades ou contradições no relatório, nem aferir a integralidade do que foi recuperado, o contexto das mensagens ou a representatividade da seleção. A não disponibilização desses dados transforma as prerrogativas dos arts. 181 e 182 do CPP em formalidade vazia e reduz os demais julgadores à condição de espectadores do trabalho desenvolvido pelo Relator e pela Polícia Federal", afirmou Gilmar no pedido.

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