Fim do Foie gras pode tirar Magret tradicional francês do Brasil
A proibição da produção e comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada de animais, que entra em vigor no Brasil em janeiro de 2027, deve atingir diretamente o mercado de Foie gras, mas pode ter um efeito menos evidente sobre outro produto tradicional da gastronomia francesa: o magret de pato.
Restaurantes franceses em São Paulo já começaram a buscar alternativas ao produto europeu e encontraram no magret produzido no Brasil uma opção para manter o corte nos cardápios. A avaliação dos chefs, porém, é de que a adaptação não representa uma substituição completa.
O magret é um corte obtido do peito do pato, normalmente com uma camada espessa de gordura, e ocupa lugar tradicional na cozinha francesa. Na França, o produto está historicamente associado ao pato Mulard utilizado na cadeia de produção do Foie gras. É justamente essa relação que coloca o magret europeu no centro de uma discussão que vai além do fígado de pato.
A nova legislação brasileira não proíbe a criação de patos para produção de carne nem o consumo ou a comercialização do magret. O ponto de restrição é o método de produção: a alimentação forçada dos animais. A lei estabelece a proibição da produção e comercialização de alimentos obtidos por esse procedimento, prática tradicionalmente utilizada na produção de Foie gras.
O impacto sobre o magret importado, entretanto, depende da forma como os produtos europeus são produzidos e comercializados e de como a nova legislação será aplicada à cadeia de importação. É nesse ponto que importadores e restaurantes passaram a acompanhar de perto as mudanças.
Restaurantes especializados em cozinha francesa já começaram a testar produtos nacionais como alternativa ao magret europeu. Entre as opções avaliadas está o Magret de Canard produzido pela Villa Germania, empresa de Santa Catarina que trabalha com pato Mulard.
A escolha não é aleatória. O Mulard é justamente o tipo de pato tradicionalmente associado à produção de Foie gras e também utilizado para a obtenção de um peito com maior quantidade de gordura, característica valorizada no preparo do magret.
A percepção envolve características como gordura, textura, sabor e comportamento da carne durante o preparo. Para os restaurantes, o produto nacional pode cumprir a função gastronômica do corte e permitir que o magret continue no cardápio, mas não necessariamente reproduz todas as características do produto tradicional francês.
Sancionada em julho de 2026, a lei estabelece a proibição da produção e comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada de animais. O texto prevê um período de 180 dias entre a publicação e a entrada em vigor da norma.