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Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global

ResumoFebre do Nilo Ocidental é uma arbovirose rara no Brasil, com casos confirmados pelo Ministério da Saúde em Santa Catarina e São Paulo, além de investigação no Piauí. A transmissão no país é limitada por fatores ecológicos e climáticos, apesar da disseminação global. Sintomas incluem febre, dor de cabeça e, em casos graves, encefalite.

Ministério da Saúde confirma casos de Febre do Nilo Ocidental em Santa Catarina e São Paulo e investiga possível caso no Piauí. Infectologistas explicam por que a transmissão é rara no Brasil e quais os sintomas.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 26 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Febre do Nilo Ocidental é rara no Brasil, apesar da disseminação global

O Ministério da Saúde confirmou dois casos de Febre do Nilo Ocidental em Santa Catarina, outros dois em São Paulo e investiga a possibilidade de mais um caso no Piauí. O infectologista André Bon, coordenador da Infectologia do Hospital Brasília, explica que, apesar de o vírus ser uma das arboviroses mais disseminadas no mundo, no Brasil a transmissão é rara. Ele ressalta que a doença não foi introduzida de forma persistente na transmissão em humanos.

A Febre do Nilo Ocidental, conhecida como West Nile, é transmitida pela picada do mosquito Culex, o famoso pernilongo, assim como Dengue e Chikungunya. O ciclo se mantém na vida silvestre entre pássaros e insetos, e a transmissão para humanos é uma zoonose extremamente rara no país. "É transmitida a partir de pernilongos infectados, que se infectaram eventualmente em algum pássaro, para seres humanos", detalha Bon.

No Brasil, os casos tendem a ser mais leves, com pouco histórico de complicações graves. No entanto, a doença pode causar encefalites, meningite e até formas de paralisia flácida, que podem se assemelhar à poliomielite. O risco de óbito e formas graves é maior em pacientes idosos, imunossuprimidos, oncológicos ou transplantados de órgão sólido. "A imensa maioria dos pacientes tem sintomas leves, mas existem formas graves", alerta o infectologista.

Não há tratamento específico, apenas suporte, como na Dengue. "Os sintomas iniciais são febre, dor no corpo, mas isso ainda é infrequente no Brasil", diz Bon. Em quadros leves a moderados, usam-se sintomáticos, hidratação e remédios para baixar febre e dor. Já em casos graves, com encefalite, meningite ou paralisia, o paciente precisa de unidade de terapia intensiva. O infectologista Cristiano Gamba, do Hospital Samaritano Paulista, ressalta que as sequelas dependem do grau de acometimento: "Normalmente uma doença benigna não deixa sequelas, mas quando há acometimento do sistema nervoso central, o espectro é amplo".

Em Santa Catarina, a SES confirmou dois casos nesta segunda-feira (24), um óbito de uma paciente de 77 anos em Imbituba e um homem de 56 anos em Caçador, que recebeu alta. Em São Paulo, os casos são de uma mulher de 34 anos de Ribeirão Preto, que viajou para a região amazônica e se recuperou, e uma adolescente de 18 anos de São José do Rio Preto, internada. Ambos foram confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz. A origem do contágio ainda é investigada.

O Ministério da Saúde mantém vigilância epidemiológica e laboratorial, presta apoio técnico aos estados e prepara nota técnica com orientações atualizadas. O SUS oferece atendimento, diagnóstico e tratamento. Os principais sintomas são febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos. Pessoas com sintomas devem procurar um serviço de saúde. Cerca de 20% dos infectados desenvolvem sintomas leves, e não há vacina. Medidas preventivas incluem evitar áreas rurais e silvestres, onde há mais aves migratórias e pernilongos, e usar repelente.

sintomas de arboviroses

A contaminação ocorre principalmente em áreas rurais e silvestres, com maior presença de aves silvestres migratórias e pernilongos infectados. Pessoas que trabalham ao ar livre, como veterinários, agrônomos e jardineiros, devem ter mais atenção. Em casos graves, podem ocorrer doenças neurológicas severas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda, com fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no padrão mental. Não existe tratamento específico, mas o acompanhamento dos sintomas e a procura por unidades médicas são essenciais.

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