EUA cortaram ajuda a programa que monitorava deslizamentos no Nepal em 2025
O governo dos Estados Unidos cortou, em janeiro de 2025, o financiamento de um programa de monitoramento de riscos naturais que identificava pontos críticos de deslizamentos de terra no Nepal. A decisão, tomada durante a gestão Trump, interrompeu o projeto conhecido como SERVIR-Hindu Kush Himalaia, que operava desde 2010 com apoio da NASA e da USAID.
O corte ocorreu após o presidente Donald Trump emitir uma ordem executiva que congelou praticamente toda a assistência externa americana ao redor do mundo. Birendra Bajracharya, ex-diretor do projeto, afirmou que o aviso de suspensão chegou por volta do final de janeiro de 2025, embora o contrato originalmente devesse durar até 2026.
O programa tinha como objetivo identificar áreas propensas a deslizamentos e outros riscos que as mudanças climáticas estão tornando mais comuns na região do Himalaia. Com o corte, esforços para melhorar a "consciência situacional sobre deslizamentos de terra" foram interrompidos, e a "detecção de movimentos de encostas para previsões de deslizamentos também não pôde ser concluída", disse Bajracharya.
O episódio ganhou relevância após mais de 1.100 pessoas morrerem quando um deslizamento de geleira e rochas no Himalaia desencadeou enchentes que atingiram o Nepal e a China em 26 de agosto. Especialistas afirmam que o programa provavelmente não teria emitido alerta precoce para aquele evento, já que rupturas de geleiras são raras demais para alarmes automáticos. Mas o projeto trabalhava na identificação de locais propensos a esses eventos, o que poderia ajudar comunidades a jusante a se prepararem.
Um porta-voz do Departamento de Estado disse à CNN que o corte ocorreu antes da reorganização da USAID e que as ferramentas do projeto permanecem ativas por meio da ICIMOD (Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas). Os EUA ainda apoiam programas de mitigação de enchentes no Nepal, via concessão à OMM (Organização Meteorológica Mundial), e há acordo entre a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica e o Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal.
Bajracharya, no entanto, foi informado de que o financiamento foi cortado devido a mudanças nas prioridades do governo dos EUA. A retirada sem aviso prévio foi particularmente prejudicial, pois não houve tempo para encerrar projetos gradualmente ou transferi-los a outras organizações.
O geofísico Marco Tedesco, da Universidade de Columbia, criticou a decisão: "Com certeza, retirar recursos de projetos existentes não é o caminho a seguir". Ele destacou que a região se torna cada vez mais vulnerável a calamidades semelhantes no futuro. Alguns programas de dados do SERVIR continuam no Nepal, como previsão de vazão de rios e monitoramento de incêndios, mas o mapeamento de inundações não está mais ativo. A orientação para famílias na região é acompanhar alertas das autoridades locais e manter planos de evacuação atualizados, já que a prevenção depende de esforços contínuos de monitoramento.